Lenísio, astro do Brasil na Espanha

O futebol brasileiro encanta os espanhóis com as pedaladas de Robinho, a força de Roberto Carlos, os gols de Ronaldo e a genialidade de Ronaldinho Gaúcho. Mas os brasileiros também fazem sucesso no futsal da Espanha. São mais de 200, nas quatro principais divisões do país. Só na primeira, formada por 16 times, são 64 atletas.A impecável organização da Liga, que começa dia 10, é completada pelo talento de craques como Lenísio, de 28 anos, eleito pela terceira vez o melhor jogador da Espanha. O pivô é líder do Polaris Cartagena, espécie de Real Madrid do futsal: tem seis brasileiros no elenco.?Os espanhóis são campeões mundiais, mas no talento individual, os brasileiros são melhores?, afirmou Lenísio, que está no país desde 2002. Para Lenísio, é simples entender as razões da invasão brasileira ? que em verdade não é nova: começou a partir de 1980. Enquanto os espanhóis querem a qualidade dos brasileiros, nossos jogadores vão para a Europa em busca de qualidade de vida e segurança. ?Além de ter mais tempo para a família, pois o calendário é muito organizado, os clubes pagam em dia?, disse o jogador, que tem seis meses de salários a receber do Atlético-MG, seu último time no Brasil. ?Todos os jogadores são profissionais: têm bons salários e vivem apenas disso.? Os espanhóis só não conseguiram, ainda, levar Falcão, melhor jogador de futsal do mundo. Não por falta de proposta. O problema é que a Malwee, sua atual equipe, cobre as propostas vindas da Europa e o jogador segue em Santa Catarina. Mas os brasileiros que se aventuram na Espanha não se arrependem. Semelhante à regra do futebol de campo, se o jogador de futsal consegue o passaporte europeu, não é contabilizado como estrangeiro. Daí para a naturalização, é um passo. Isso explica que brasileiros, como Edésio e Daniel, já tenham defendido a seleção espanhola. Lenísio ainda pretende atuar pela seleção brasileira ? da qual esteve fora por quatro anos. O pivô, que também atuou pela Wimpro, GM e Ulbra, está no melhor momento da carreira. Casado, pai de um casal de filhos, busca o primeiro título da Liga. Nas três primeiras temporadas na Espanha, foi vice-campeão pelo El Pozo ? perdeu todas para o Boomerang Interviú. ?Os primeiros meses foram difíceis, até me acostumar com a língua e os hábitos dos espanhóis?, explicou o pivô, que marcou 68 gols no ano passado. ?Hoje estou adaptado e feliz.? Organização - Na Liga Espanhola ? chamada por eles de ?o melhor campeonato do mundo? ?, a maioria dos clubes é financiada por empresas particulares. A diferença é que os times não são desfeitos por falta de patrocínio. Os contratos são assinados por, pelo menos, dois anos. ?Desde que estou aqui, não vi nenhum time ser extinto?, contou Lenísio. Alguns também têm o apoio do governo municipal. O futsal não é o esporte favorito dos espanhóis ? futebol de campo, basquete, ciclismo e motociclismo movimentam mais torcedores ?, mas o sucesso do torneio é garantido. Já na pré-temporada, cada equipe vende centenas de carnês para a temporada. ?Os jogos são aos sábados, sempre no mesmo horário, transmitidos pela tevê aberta?, revelou Lenísio. ?A tabela é previamente conhecida e facilita a vida dos torcedores.?Além de Lenísio, o Polaris Cartagena tem os brasileiros Manoel Tobias, Balo, Simi, Lima e Marcelo. O Boomerang Interviú, o El Pozo e o Playas de Castellón, times que mais investiram em reforços, também são as forças do campeonato. As 16 equipes jogam em turno e returno. As oito melhores se classificam para jogos eliminatórios, até a final, marcada para abril de 2006.

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