Lentidão do carro de Bruno Senna irrita adversários

Brasileiro da Hispania fica 11,5 s atrás do mais rápido no treino e causa preocupação em relação à segurança

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

Em condições normais, uma equipe de Fórmula 1 cujo piloto registra um tempo 11,5 segundos pior que o mais veloz num treino, como fez Bruno Senna, da Hispania, ontem, no primeiro dia de treinos do GP de Bahrein, seria motivo de grande preocupação. Mas ao contrário do que se poderia esperar, o resultado provocou até festa no time estreante na competição. "O pessoal está trabalhando desde terça-feira praticamente sem parar. Completar 17 voltas é uma vitória de todos", declarou Bruno.

O ritmo do carro da Hispania, contudo, resultou em críticas de vários pilotos, como Jenson Button, da McLaren. "A diferença de velocidade era muito grande, tornou-se perigoso", disse o atual campeão do mundo. Bruno fez no circuito de Sakhir 2min06s968, 22.º tempo, enquanto o pole position da GP2, Luca Fillipi, por exemplo, marcou 2min07s087, apenas 119 milésimos mais lento.

"A minha preocupação não era ser o mais rápido, mas verificar se tudo funcionava no carro. Foi nosso primeiro teste", explicou Bruno, feliz com sua estreia oficial na Fórmula 1. E por mais que o time trabalhasse, não conseguiu concluir a montagem do carro de Karun Chandhok, o outro piloto da Hispania, que não treinou.

Geoff Willis é o experiente engenheiro que está orientando a Hispania no GP de Bahrein. Já trabalhou na Williams, Honda e Red Bull, por exemplo. "Quando Colin Colles (diretor geral) me pediu ajuda e fui à fábrica da Dallara, encontrei lá um chassi desmontado e uma caixa, ao lado, cheia de peças. Era tudo o que existia da escuderia", contou. Dallara é um construtor italiano, contratado pela equipe para produzir o carro.

"Dê uma olhada no que existe hoje. Agora, dois carros, mecânicos, engenheiros, as instalações. É extraordinário que tudo esteja pronto em menos de duas semanas", comemorou Willis. "O máximo que esse pessoal dormiu foi três horas." O clima de satisfação era visível nos 45 integrantes da Hispania.

Quase não há, porém, peças de reposição. Os pilotos terão de ser cuidadosos, hoje, na sessão classificatória, e amanhã, na corrida, para que possam largar. Ontem, no fim da sessão da tarde, a roda traseira do carro de Bruno soltou-se, na freada do fim da reta, quando o piloto já estava devagar.

"Não fizemos o menor acerto no carro. Os pneus trabalharam errado, não temos a potência possível em razão de ajustes eletrônicos", disse Bruno. "Penso ser possível que essa diferença caia logo ao patamar da Lotus", comentou Bruno. A Lotus é outra estreante e ontem Jarno Trulli e Heikki Kovalainen, seus pilotos, ficaram a cerca de 5 segundos do tempo de Nico Rosberg, da Mercedes, o melhor do dia, com 1min55s409.

O presidente da FIA, Jean Todt, preocupado com a questão da segurança, afirmou ser favorável à volta do tempo mínimo de classificação para disputar as corridas. Seria, como já foi, de no máximo 107% do tempo do pole position. No caso da sessão da tarde de ontem, esse tempo mínimo seria de aproximadamente 2min03s. "Mas só poderemos adotá-lo em 2011."

ACELERADAS

Hoje será disputada a primeira sessão classificatória com as novas regras. Na primeira parte (Q1), os 7 mais lentos não prosseguem em vez dos 5, como em 2009. Na segunda (Q2), outros 7 deixam o treino. Assim, a Q3 reunirá os 10 mais rápidos. Com o fim do reabastecimento, os pilotos vão treinar no Q3 com gasolina apenas para a volta lançada. Mas vão ter de largar, amanhã, com o mesmo jogo de pneus da volta do seu melhor tempo.

"O consumo dos pneus supermacios é grande", afirmou Felipe Massa, da Ferrari, ontem. A Bridgestone disponibiliza no GP do Bahrein os pneus supermacios e os médios. O regulamento impõe que deva existir um tipo de pneu entre os dois oferecidos. Assim, os pneus macios, intermediários entre os supermacios e os médios, não estão no circuito de Sakhir.

O arquiteto alemão Herman Tilke, responsável pela maioria dos novos autódromos, pode entender de projetar áreas de paddock de grande beleza. Mas o traçado de circuito não é o seu forte e recebeu críticas dos pilotos.

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