Pablo Vaz/Red Bull Content Pool
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Leticia Bufoni conquista o mundo em cima do skate e sonha alto

Atleta supera preconceito, ganha títulos mundiais e é a esperança do Brasil em Tóquio, quando o esporte radical vai estrear na Olimpíada

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2018 | 06h36

A skatista Leticia Bufoni vem sendo cotada por diversos especialistas para subir ao pódio quando a modalidade estrear nos Jogos Olímpicos, em Tóquio, em 2020. A atleta de 24 anos pratica a modalidade desde os nove anos e teve de superar muitas barreiras para atingir o alto nível no esporte radical.

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“Nos meus primeiros anos no skate sofri muito preconceito, principalmente no início, que andava só na rua e não era boa ainda. As pessoas me chamavam de Maria João, Maria Homem, Sapatão, então sofri muito preconceito. Falavam que lugar de mulher era na cozinha, não em cima do skate. Eu era a única menina no meio de dez moleques”, conta.

Até mesmo em casa ela era vista com desconfiança, mas isso mudou com a persistência da garota. “No começo meu pai não apoiava e até chegou a cortar meu skate com uma serra Makita. Mas ele viu que eu não iria desistir e passou a me apoiar. Hoje minha família é fã do skate, pois o esporte trouxe muita felicidade para mim e minha família. Agora consigo viver do skate, moro na Califórnia, viajo o mundo, então pude realizar meus sonhos.”

O skate vai fazer sua estreia olímpica em 2020 e isso terá um impacto significativo na modalidade, que era vista antes muito mais como um estilo de vida e agora entrou no seleto programa esportivo dos Jogos. A tendência é que esteja presente na versão street, especialidade de Leticia, e no vertical, em ambas no masculino e feminino.

No street, o atleta percorre uma pista que simula os obstáculos que são encontrados nas ruas. O skatista, assim, usa um repertório de manobras para ganhar pontos. “Ninguém sabe como vai ser o lance do uniforme, do julgamento, então são alguns pontos para acertar. Mas tudo indica que será um sucesso”, diz Leticia, considerada a atleta mais vitoriosa do skate na história e sedenta por novos títulos.

A atleta sabe que disputar uma Olimpíada é atingir o ápice na carreira. “É meu sonho estar nos Jogos de Tóquio, representar o Brasil e ganhar uma medalha olímpica. Estou fazendo de tudo para que eu chegue lá e possa competir muito bem, mas sei que ainda tem muito chão pela frente. O skate é um esporte que machuca bastante, então não tem como planejar 100%”, explica a atleta.

Desde que o skate entrou para o programa olímpico, o impacto foi muito grande no meio, principalmente para as mulheres, que contam com menos eventos internacionais que os homens. “Acredito que neste ano vai mudar bastante e devemos ter mais etapas do Mundial. Estou vendo grandes marcas de carros, bebidas, sapatos e roupas investindo no skate e montando equipes já pensando na Olimpíada. É legal ver isso. Acho que só vai melhorar e os próximos anos prometem.”

Leticia consegue viver do esporte e tem a vida que escolheu. Possui bons patrocínios, é agenciada pela Go4it, empresa que trabalha com atletas como Gabriel Medina, Thiago Silva e Daniel Alves, e costuma fazer trabalho também para revistas de moda e beleza.

"Uma skatista profissional precisa cuidar do corpo. Eu tento ser vaidosa ao máximo, também faço coisas fora do skate, como fotos para revista de fitness ou como modelo. No esporte eu fico suada, caio no chão, fico ralada, machucada, mas quando faço essas outras coisas eu estou maquiada, bonita, super diferente. Gostei de fazer, mas sei que tudo isso é fruto do meu trabalho no skate", comenta.

Leticia sabe que precisa se cuidar para não ter grandes lesões, principalmente por causa das competições e não apenas por vaidade. "Eu amo minhas cicatrizes, não escondo nenhuma, pois elas mostram que realmente amo o que eu faço", afirma a paulistana da zona leste, que é referência feminina no skate. Conta com três medalhas de ouro nos X-Games e foi quatro vezes campeã Mundial de Street Skate (2010, 2011, 2012 e 2013), entre outros feitos. Em 2017, foi prata na Liga Mundial.

Ela sabe que terá de continuar treinando forte para chegar bem em Tóquio. "Desde que ganhei meu primeiro Campeonato Mundial, essa questão da pressão mudou bastante. Agora todo mundo espera eu me dar bem ou ficar no pódio. Todo evento acham que eu vou ganhar. Então é mais uma pressão, mas gosto disso, pois me motiva. Eu mesma coloco muita pressão em mim, pois quero estar sempre bem. Claro que esporte é assim, tem dia que você pode não estar bem, ou se machucar”, avisa.

Entre seus patrocínios estão grandes marcas como Nike, Red Bull, GoPro e Beats By Dre, entre outras. A garota serve de inspiração para a nova geração e se orgula de ter quebrado a barreira de gênero no esporte. "Hoje em dia, quando falo que sou profissional do skate, todo mundo fala que é legal. O esporte já cresceu muito desde que eu iniciei há 15 anos. Se você for em qualquer skate park vai encontrar meninas andando, crianças com os pais. Mas ainda tem muito a crescer", admite.

Para Felipe Stanford, head da area de atletas e parcerias da Go4it, Leticia sem dúvida será a atleta olímpica brasileira com mais visibilidade. "Estamos planejando várias ações com ela até os Jogos de 2020. Ela tem seu próprio reality show, o 'Leticia Let’s Go', é um fenômeno nas redes sociais (com milhões de seguidores engajados) e é a primeira campeã mundial de skate feminino além de ser a skatista feminina mais vitoriosa de todos os tempos. Hoje a Leticia é considerada musa do skate mundialmente e ídola de uma geração apaixonada por esportes radicais."

Ciente de sua importância, Leticia festeja não apenas a inclusão do skate nos Jogos Olímpicos como o reconhecimento da Confederação Brasileira de Skate pelo Comitê Olímpico do Brasil. Com isso, a entidade passa a ser a responsável pelo skate olímpico. "Só de ver o Bob Burnquist e o Sandro Dias envolvidos na CBSk, a gente fica tranquila e pode respirar mais aliviada. Estamos sendo bem representados", conclui.

 

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