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Levantamento mostra uso da tecnologia na segurança do Rio 2016

Tráfico de drogas seria principal problema na área dos Jogos

Gustavo Zucchi, O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2016 | 10h00

Com objetivo de fomentar o desenvolvimento de tecnologia na Rio 2016, dois pesquisadores desenvolveram em parceria com o disque-denúncia um mapa da criminalidade no entorno das instalações olímpicas. Juntos, a Dra. Maureen Flores, especializada em inovação no esporte e doutora em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e o professor Walkir Brito, Mestre em Informática, também pela UFRJ, levantaram os principais crimes cadastrados no Disque-Denúncia nas áreas de Copacabana, Deodoro, Maracanã e Barra da Tijuca, todos cenários olímpicos.

"Da mesma forma que olhei a tecnologia na questão do esporte nos megaeventos, fui olhar a segurança. Eu fiz uma pergunta. E quando fui fazer esta pergunta, quis saber: como é estudada a questão da segurança nos Jogos Olímpicos? E como é que esta violência se dá no entorno dos megaeventos?", explicou a professora, revelando a conduta base de seu trabalho. Dos 178 tipos de crimes cadastrados no banco de dados do Disque-Denúncia no Rio, os pesquisadores optaram por trabalhar com somente quatro: crimes contra o patrimônio, tráfico de drogas, crimes contra a pessoa e crimes com armas e explosivos. Em todas as áreas estudadas, o principal problema registrado foi o tráfico de drogas: Em Deodoro, 39%. Em Copacabana, 43%. Já na região do Maracanã e da Barra, 40% das denúncias foram ligada à venda de entorpecentes.

"A segurança é um ponto chave dos Jogos. Isto a  gente tem certeza. Sem investimento maciço em tecnologia, a gente não vai poder fazer frente a todas essas ameaças que estão na cidade", explica a professora. Com um extenso currículo ligado a estudar o impacto da tecnologia no esporte, a estudiosa vê que um levantamento como este pode contribuir para que as medidas tomadas durante a Olimpíada se prolonguem para a vida da cidade pós-Jogos.

"Uma coisa é certa, sem tecnologia, o Brasil não enfrenta o problema. Assusta olhar no entorno do Maracanã, ver o número de denúncias e saber que ali você vai ter os maiores chefes de Estado do mundo. Não adianta resolver o problema sem beneficiar a cidade também. Quais são as tecnologias que serão utilizadas, os métodos que serão empregados, as novas organizações e procedimentos que serão empregados e que podem deixar para o Rio um aprendizado que possa melhora a questão de segurança no dia a dia?"

NÚMEROS

No período de janeiro de 2013 até outubro de 2015, nas regiões abordadas, o Disque-Denúncia registrou 37.598 dos quatro crimes averiguados (uma pequena fração do número total de denúncias). As denúncias, feitas por ligação ou por mensagens via o aplicativo WhattsApp. Segundo os pesquisadores, levantamentos como este ajudam a mostrar como a mobilização do ecossistema digital do esporte e de megaeventos pode contribuir com a política pública desenhada pelo governo para os Jogos de 2016.

"Em um evento no Maracanã, há várias startups que desenvolvem aplicativos que você forma uma rede no entorno, para que você cuide de toda esta concentração humana. Eu queria olhar isso, mas para isto, tinha de entender como era a questão de segurança no loocal. Eu não achei no Brasil nenhuma startup nesta área, voltada para esta questão dos megaeventos, do reconhecimento", completa a professora Maureen. 

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