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Libertadores deve esvaziar clássicos do Paulistão

Corinthians, Palmeiras e São Paulo terão jogos difíceis na competição continental em momentos que também vão enfrentar grandes rivais no Estadual

Ciro Campos e Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2013 | 02h05

SÃO PAULO - A participação do trio de ferro - Corinthians, São Paulo e Palmeiras - na Libertadores pela segunda vez na história vai transformar os clássicos do Campeonato Paulista em navios à deriva. Em um deles, jogam os titulares; no outro, times mistos e, nos demais casos, sabe-se lá quem será escalado. É o torneio continental - infinitamente mais valorizado pelos clubes - que vai "escalar" os dérbis estaduais.

"Como temos viagens longas na Libertadores, praticamente não existirá uma preparação para os clássicos. Vamos recuperar os jogadores e corremos o risco de usar times mistos", confessa Edu Gaspar, gerente de futebol do Corinthians.

O atual campeão sul-americano é o time que mais vai sofrer. Embora Tite tenha confirmado os titulares amanhã, contra o Palmeiras, a delegação vai encarar, na sequência, uma viagem até a Bolívia, para estrear na Libertadores contra o San Jose.

A situação piora em março. Depois do clássico contra o Santos, no dia 3, a equipe de Guerrero vai enfrentar um voo de 26 horas até Tijuana, no México. "O elenco vai ser dividido e cada grupo terá uma programação de treinos diferentes", diz Edu. 

COTAS GENEROSAS

A diretoria do São Paulo afirma que montou um elenco numeroso para disputar as duas competições.

"Não vamos desprezar o Paulista por duas razões principais. A primeira é financeira. As cotas de TV do Paulista são praticamente o dobro do que recebemos na Libertadores. Em segundo lugar, não podemos nos descuidar da rivalidade regional", diz João Paulo de Jesus Lopes, vice-presidente de futebol do São Paulo. "Por isso, temos um grupo com 14, 15 jogadores titulares", completa o dirigente afirmando que, por enquanto, está tudo sob controle.

A primeira experiência de conciliar os dois torneios, no entanto, foi parcialmente bem-sucedida. A equipe arrancou a classificação na fase prévia da Libertadores, em La Paz (perdeu por 4 a 3), mas caiu diante do Santos, na Vila Belmiro, por 3 a 1.

"No caso de viagens longas, teremos de analisar cada jogo de maneira específica", diz o dirigente são-paulino. 

  

COPA DAS CONFEDERAÇÕES

Na segunda semana de março, no dia 10, São Paulo e Palmeiras vão duelar depois de partidas decisivas no momento da definição da fase de grupos. Fato semelhante vai acontecer com São Paulo e Corinthians, no dia 31 de março.

"Temos a preocupação com o excesso de jogos. Por isso, é tão importante reforçar o elenco com quantidade, além da qualidade. Mas o momento não nos permite escolher campeonato", diz o técnico Gilson Kleina, do Palmeiras.

O principal gargalo do calendário neste ano é a Copa das Confederações, a partir do dia 15 de junho. Não existem datas para adiamento das partidas. O São Paulo, por exemplo, tem dois jogos a menos no Paulista e só vai pagar o último deles em abril.

Para contornar o problema, o Grêmio montou dois times: um para o Gaúcho e o outro para a Libertadores. O corintiano Edu Gaspar tem outra sugestão, mais complicada. "A Federação Paulista e a Conmebol deveriam conversar mais na hora de fazer as tabelas. Seria melhor pegar essa situação atual como aprendizado e encontrar uma fórmula para o futebol ter os times completos em todos os jogos."

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