Morry Gash/AP
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Liga americana de beisebol concede incentivos para encorajar jogadores a se vacinar

Times poderão ter restrições suspensas quando tiverem 85% dos integrantes vacinados, meta que poucas equipes alcançaram até agora

James Wagner, The New York Times

20 de abril de 2021 | 12h00

Poucos dias depois de uma ida ao mercado, durante o inverno, Brent Suter, arremessador reserva dos Milwaukee Brewers, equipe de beisebol, acordou se sentindo mal. Ao longo do dia, foi ficando cada vez mais cansado, com o corpo dolorido, e suas costas travaram. No dia seguinte, testou positivo para o coronavírus, e sua mulher testou positivo logo depois. Suter, 31 anos, afirmou que seus pulmões inflamaram e que ficou sem olfato e paladar por duas semanas. Ele parou com o treinamento antes do início da temporada.

“Já fiquei mais doente na vida, mas nunca me senti tão mal por tanto tempo”, afirmou Suter em uma entrevista coletiva por vídeo na semana passada. Ele acrescentou depois, “foram 10 dias nada divertidos”.

Com essa experiência na mente e depois de consultar seu time e médicos independentes, Suter falou que a decisão de exibir o braço direito - que certamente não é seu braço de arremesso - para a picada da vacina contra covid-19 foi fácil. Uso de máscaras e praticar distanciamento social servem para frear o vírus, afirmou ele, “mas, agora, nós podemos vencer essa coisa”.

A vacinação segue a todo o vapor nos Estados Unidos, e o governo Biden orientou autoridades estaduais, locais e tribais a disponibilizar vacinas contra a covid-19 para todos os adultos até 19 de abril. Mas nem todos estão interessados em se vacinar, entre eles, jogadores de beisebol, apesar dos incentivos adicionais oferecidos por sua associação e pela liga.

“Sei que muitos dos caras não estão preocupados em poder e visitar amigos ou jantar ao ar livre, ou ir a bares ou restaurantes e ter esse tipo de vida normal”, afirmou o terceira-base dos Mets, J.D. Davis, surpreendendo alguns um dia após o início da temporada. “Estamos muito concentrados no beisebol neste momento.”

Questionado se pretende ou não ser vacinado, Davis respondeu que não pensou muito a respeito disso. Mas ele qualificou qualquer decisão que tome como uma escolha pessoal. A hesitação de vários jogadores dos Mets fez com que os dirigentes do time agendassem sessões educativas adicionais com médicos, antes de lhes serem oferecidas as duas doses da vacina da Pfizer-BioNTech.

“Queremos vacinar o máximo de jogadores possível”, afirmou o presidente do time, Sandy Alderson. “E isso favorece o time, favorece as famílias dos jogadores, favorece os profissionais que trabalham na equipe. Então, espero que, para além das próprias considerações médicas que tenham, eles levem isso tudo em consideração.”

Assim como no basquete, a Major League Baseball (MLB) e a associação dos jogadores de beisebol encorajaram times, jogadores e profissionais do esporte a se vacinar. Em 29 de março, eles receberam um memorando de três páginas detalhando como os rígidos protocolos de segurança sanitária serão abrandados em relação a indivíduos que se vacinarem e times que tenham 85% de seus profissionais vacinados.

Eis algumas das muitas recompensas para indivíduos que estiverem plenamente vacinados (duas semanas após a segunda dose): pessoas vacinadas poderão se reunir durante viagens do time, em aviões, trens ou ônibus (o que significa que os jogos de baralho estarão de volta); reuniões em ambientes fechados sem máscara nem distanciamento com pessoas também vacinadas serão permitidas fora das instalações do time; a frequência dos testes para detecção do vírus pode ser reduzidas de dia sim, dia não, para duas vezes por semana; e parentes dos jogadores e pessoas que moram com eles, quando vacinados, poderão ficar no mesmo hotel que o time durante as viagens.

Eis alguns dos muitos benefícios para o time que chegar ao nível de vacinação de 85%: uso de máscaras não será exigido para jogadores no banco de reservas e nas áreas de aquecimento; sensores obrigatórios de rastreamento de contato físico poderão ser dispensados; será permitido comer em ambientes fechados; parentes dos jogadores e pessoas que moram com eles que não tiverem se vacinado, assim como pessoas vacinadas de fora de suas famílias, poderão compartilhar espaços com os jogadores e a equipe nos hotéis; e atividades coletivas de recreação (como bilhar e videogames) poderão ser retomadas.

(Até os fãs estão ganhando incentivos: os Cincinnati Reds estão oferecendo ingressos a US$ 10 para partidas selecionadas, em abril e maio, para quem comprovar que tomou pelo menos uma dose de vacina.)

Mesmo que isso não signifique um retorno total à vida pré-pandemia, seria uma experiência muito mais próxima da normalidade do que jogadores e profissionais do esporte têm experimentado desde o início da temporada de 2020.

“Estou pronto para voltar ao normal”, afirmou a jornalistas o arremessador Max Scherzer, dos Washington Nationals, enquanto seu time lidava com o surto de covid-19 que interrompeu um período de seis semanas em que os times da MLB estiveram relativamente livres do coronavírus.

E, quando a temporada regular dos Nationals começou, cinco dias depois do esperado, o time não pôde contar com nove jogadores que testaram positivo para o vírus ou haviam estado em contato próximo com colegas de equipe infectados. No ano passado, surtos maiores aconteceram nos Miami Marlins e nos St. Louis Cardinals, quase tiraram dos trilhos uma temporada regular que já havia sido encurtada.

“Estamos muito atentos à maneira de voltarmos à normalidade, à maneira de mantermos nossos jogadores saudáveis. A maneira de manter nossa comunidade saudável é vacinar o máximo de pessoas”, afirmou na semana passada David Stearns, diretor de operações de beisebol dos Brewers.

Enquanto a liga trabalha para vacinar seus jogadores, ela não os obrigou a se imunizar. É “muito importante” que os jogadores tenham a opção de fazer suas próprias escolhas em relação a si mesmos e suas famílias, afirmou Tony Clark, diretor executivo da associação, em entrevista por telefone. Mas ele e a associação, assim como a liga e seus times, estão encorajando os jogadores a se vacinar.

Vários fatores podem explicar a hesitação dos jogadores. Eles são, em sua maioria, homens brancos, de inclinação política conservadora. De acordo com o Pew Research Center, grupos demográficos como apoiadores do Partido Republicano, americanos negros e evangélicos brancos estão entre os menos propensos a se vacinar.

Stearns se recusou a informar qual porcentagem dos integrantes dos Brewers se vacinou, mas disse que foi “uma boa parte”. O que ajudou a conquistar esse feito? Suter afirmou que foram as conversas na sala de recreação a respeito de qualquer desconfiança ou preocupação em relação às vacinas e uma reunião em que o médico do time respondeu perguntas anônimas. Mark Niedfeldt, um dos médicos dos Brewers, elogiou o defensor externo Christian Yelich e Suter por encorajar seus colegas de time a se vacinar.

E, quando os Brewers se juntaram às autoridades de Milwaukee em uma campanha de serviço público para ressaltar a eficácia e a segurança das vacinas, jogadores como o arremessador Freddy Peralta, o defensor Keston Hiura, Suter e Yelich foram inoculados com a vacina da Johnson & Johnson diante das câmeras e falaram sobre a importância da imunização.

“É uma maneira de mostrar que me importo com vocês”, afirmou Suter no vídeo. Yelich afirmou, “Não vejo a hora de voltar a ter uma vida normal”. /TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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