Robert Deutsch/USA Today
Tom Brady levou os Patriots ao quinto título da NFL na última temporada Robert Deutsch/USA Today

Liga mais rica e assistida do mundo, NFL começa com os mesmos favoritos de sempre

Com valor estimado em R$ 40,5 bilhões, campeonato caminha em passos largos para se popularizar ainda mais

Felippe Scozzafave, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2017 | 07h00

Depois de sete meses de espera, a National Football League (NFL), a liga de futebol americano, está de volta. Após a incrível conquista do New England Patriots – que conseguiu uma virada inacreditável para cima do Atlanta Falcons e venceu por 34 a 28, após estar perdendo por 28 a 3, e se sagrou vencedor do Super Bowl 51 –, a liga, que já é a mais valiosa do mundo, com valor estimado em U$ 13 bilhões (R$ 40,2 bilhões), de acordo com levantamento do How Much.net feito em 2016, dá passos largos para se popularizar em todos os lugares. É transmitida em mais de 170 países e tem no Super Bowl, a grande final, um evento esportivo menos assistido apenas que a final da Copa do Mundo.

Roger Goodell, comissário da NFL desde 2006, estima que a liga alcançará os US$ 25 bilhões em receita em dez anos. O torneio tem a melhor média de público entre todos os campeonatos esportivos do país e ainda possui o sistema de draft, algo que os norte-americanos se orgulham por servir para, teoricamente, equilibrar os campeonatos e dar oportunidades iguais para todas as equipes.

Apesar do draft e das negociações, os times com reais chances de conquistar o título são os mesmos dos últimos anos – os dois finalistas já largam na frente, principalmente os Patriots, que aliam a força defensiva aplicada pelo técnico Bill Belichick com a genialidade de Tom Brady, que parece não sentir os 40 anos e, a cada ano, se consolida ainda mais como o maior quarterback de todos os tempos.

Brady tem um entrosamento para lá de especial com Rob Gronkowski e Danny Amendola. Julian Edelman será a grande baixa no time cinco vezes campeão, já que rompeu o ligamento do joelho direito e está fora da temporada. Pelo lado dos Falcons, a ideia no mercado de transferências foi aprimorar a defesa, já que o ataque foi o melhor da NFL no último ano.

Outros que são favoritos a levantar o troféu Vince Lombardi são o Pittsburgh Steelers, que baseia seu jogo em Ben Roethlisberger, Le’Veon Bell e Antonio Brown, um dos trios mais mortais da NFL e que, a cada ano, faz estrago na Conferência Americana; o Carolina Panthers, de Cam Newton; além do Green Bay Packers, que, mesmo sem as melhores opções ofensivas, tem Aaron Rodgers, capaz de lances inacreditáveis e com um poder de decisão incomum.

Quem também vem forte esse ano é o Oakland Raiders, que começa a se despedir da cidade californiana rumo a Las Vegas, onde jogará a partir de 2020. Para esta temporada, a esperança é contar com um Derek Carr saudável, já que ele se machucou nos últimos playoffs e o time não conseguiu findar a "maldição" de não vencer um jogo de pós-temporada desde 2003. Neste ano, outra grande arma será o running back Marshall Lynch, que brilhou durante muito tempo em Seattle e até ganhou o apelido de "Beast Mode" para os momentos em que simplesmente era impossível de ser parado pelos marcadores. Depois de um ano fora, ele desistiu da aposentadoria para jogar no time de sua cidade natal.

Correndo por fora aparecem o Dallas Cowboys, time mais popular da NFL e franquia esportiva mais valiosa do mundo, segundo a Forbes, valendo US$ 4,2 bilhões (R$ 13 bilhões), que conta com as jovens estrelas Dak Prescott e Ezekiel Elliott, esse último suspenso dos seis primeiros jogos por ter agredido sua ex-namorada e o New York Giants, "pedra no sapato" dos Patriots, já que derrotaram Brady e companhia em dois Super Bowls recentes (2008 e 2012).

O time segue com o instável Eli Manning, que, apesar de grandes momentos, para sempre viverá na sombra de seu irmão, Payton, um dos maiores da história da liga. Seu grande parceiro em Nova York é Odell Beckham Jr., que, ao mesmo tempo em que é dos Wide Receivers mais talentosos da liga, adora se envolver em confusão e costuma ser suspenso de alguns jogos por desobedecer a arbitragem. Seu estilo extravagante de ser chamou atenção de Neymar, com quem costuma aparecer em fotos em festas milionárias.

Entre os brasileiros, o kicker Cairo Santos poderá ser o primeiro atleta do País a ser campeão da NFL. Ele e seu Kansas City Chiefs começam a temporada com um teste de fogo, nesta quinta-feira contra o time de Tom Brady em Foxborough, onde o New England Patriots dificilmente perde.

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'A NFL virou um evento social', diz vice-presidente de jornalismo da ESPN

João Palomino acredita que a liga de futebol americano crescerá ainda mais no Brasil

Felippe Scozzafave, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2017 | 07h00

Alguns anos atrás, NFL era algo quase que inexplorado no Brasil. Nos últimos tempos, porém, o cenário mudou e, o que antes era uma liga desconhecida do grande público, hoje se tornou um grande produto, com o País sendo considerado o maior mercado consumidor fora da América do Norte, onde é superado por Estados Unidos e México. Quem aproveita isso é a ESPN, que transmite os jogos há mais de 20 anos e vê a audiência crescendo cada vez mais.

"Desde 2010, quadruplicou a audiência da NFL no Brasil. Apenas do ano passado para esse, aumentou 27%. O último Superbowl foi o mais assistido no Brasil em toda a história e tudo isso só aumenta o nosso desafio de melhorar cada vez mais", disse João Palomino, vice-presidente de jornalismo e produção da ESPN no Brasil. Para ele, a dominância do futebol como "único" esporte do brasileiro é algo que contribui para esse crescimento. "A NFL virou um evento social. As pessoas se reúnem para assistir os jogos. Antes era um pretexto para assistir o Superbowl, depois para as finais de conferência e agora para muita gente virou meio que uma rotina. Domingo, depois do futebol, coloca na ESPN para assistir a NFL. Outro ponto que acho que atrai muita gente é a qualidade das transmissões. O nível de conhecimento dos nossos profissionais e o modo como eles conseguem passar para o público é algo que certamente ajudou na popularização".

Palomino, que se descreve como um "jornalista olímpico", já que acompanha todos os esportes, admite que passou a se interessar pela NFL conforme foi aprendendo as complicadas regras e acha que a maioria das pessoas sofreu processo semelhante: "Hoje em dia já existem torcedores fanáticos por times da NFL. É gente que assiste um jogo de futebol americano como quem vê o jogo do Corinthians, por exemplo. Ele critica a arbitragem, comenta os lances polêmicos e vibra a cada jogada", comentando que isso faz com que os produtos licenciados da liga sejam cada vez mais populares. "A NFL virou uma moda fashion. Em algumas 'tribos', os caras fazem questão de usar roupa de futebol americano porque gostam do estilo".

 

Veja quais jogos a ESPN transmitirá na semana 1 da NFL #NFLnaESPN

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E os planos da ESPN, que a partir desta temporada volta a ter exclusividade na NFL, com a saída do Esporte Interativo, são cada vez mais ousados. São quatro canais na televisão e mais duas plataformas na internet que poderão ser utilizados para transmissões, além de muita interação pelas redes sociais. Apenas na primeira semana, oito jogos serão transmitidos para o Brasil. Mas a emissora quer mais e aposta que, muito em breve, um jogo da liga pode ser disputado no Brasil, assim como costuma acontecer em Londres e outras cidades importantes: "É um sonho ter um jogo da NFL no Brasil. Nós já tivemos o NBA Global Games e, mesmo que a organização tenha sido da NBA, foi a ESPN quem fez a transmissão para o mundo inteiro. Pelos exemplos que temos de Londres e Cidade do México, caso aconteça um jogo por aqui, provavelmente nós que faríamos tudo", finalizou o empolgado jornalista, dizendo que o Maracanã já até mesmo recebeu visitas técnicas de representantes da NFL.

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