Lino Barros dá passo decisivo rumo ao título mundial dos cruzadores

Campeão latino coloca título em jogo contra adversário que criou certa fama no reality show 'The Contender'

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2013 | 17h55

OSASCO - "Let´s get ready to rumble!" (Preparem-se para fazer barulho, em tradução livre). Quando Michael Buffer, o lendário locutor de boxe, anunciar o combate entre Laudelino Barros e o norte-americano Felix Cora Jr., neste sábado, no ginásio José Liberatti, em Osasco, o mato-grossense Lino Barros tentará dar um dos passos mais importantes de sua já longa carreira. O veterano de 37 anos vai defender o título latino-americano dos cruzadores (até 90,719kg) da Organização Mundial de Boxe contra o desafiante. Se vencer, graças aos contatos do presidente do Conselho Nacional de Boxe, Antônio Bernardo (apelidado como Don Antonio por Buffer), Lino poderá lutar pelo título mundial, em combate realizado no Brasil.

A empreitada se tornou possível graças à Honesto Company, formada por um grupo de empresários que não hesitou em investir R$ 250 mil no evento. A Honesto tentou até trazer Mike Tyson ao Brasil, que é amigo de Lino, para promover a luta, mas recuou diante do pesado cachê do "Iron Man". Os empresários conversaram com algumas emissoras de TV, mas só conseguiram fechar contrato com a TV da Cidade, um canal de Osasco, que vai transmitir o evento ao vivo.

Cora, apelidado "Bad News", já coleciona algumas más notícias na carreira. Em 31 lutas, já perdeu seis - obteve 23 vitórias, sendo 12 por nocaute, e dois empates. O cruzador texano, de 33 anos, já ficou mais de um ano sem lutar. Ele ganhou algum prestígio no reality show "The Contender 4". "Esse programa me abriu algumas portas. Talvez por isso eu esteja aqui", disse Bad News, durante entrevista coletiva na praça de alimentação do Osasco Plaza Shopping. Cora respeita bastante Lino, mas acha que tem suas chances. "Lino tem bastante experiência e qualidade, e representa o boxe deste grande país. Mas tenho minhas chances de vitória e acredito nelas. Do contrário, não estaria aqui".

O norte-americano se animou quando soube que Buffer estaria presente. "Sua presença nos confere a certeza de que esta é uma legítima disputa de título, uma luta de verdade". Lino, que arrancou alguns aplausos femininos ao subir de cuecas sobre a balança em frente a uma loja de pizzas em pedaços, também elogiou o adversário. "É um lutador renomado e vem da melhor escola de boxe do mundo. Não deixa de ser perigoso por ter perdido seis vezes e não veio aqui por dinheiro".

Lino assinou contrato de patrocínio com o Corinthians, e teve que se desvincular de seu antigo treinador, o cubano Paco Garcia, que é funcionário do Palmeiras. Ele agora é treinado por Washington Silva, ex-boxeador da seleção olímpica do Brasil, e por Nei Braga, técnico de boxe nas academias Team Nogueira. Fez sparring, entre outros, com Anderson "Braddock" Silva, lutador de MMA. O matogrossense, que vive em Osasco, sente-se em casa no ginásio José Liberatti. "É o primeiro ginásio onde treinei aqui em Osasco. Para mim é uma felicidade muito grande lutar nesta cidade que me adotou".

 

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