Lista de dispensa sai até quinta-feira Palmeiras aposta nos garotos e perde mais uma

No primeiro jogo após o rebaixamento, Alviverde investe nos jovens diante do Atlético-GO, mas não evita 21ª derrota

DANIEL BATISTA, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2012 | 02h05

A reconstrução do Palmeiras não começou como a torcida esperava. Os garotos convocados por Gilson Kleina lutaram, mas não conseguiram evitar a 21.ª derrota no Brasileiro. De volta ao Pacaembu, o Alviverde perdeu por 2 a 1 para o Atlético-GO, em jogo que só serviu para o treinador observar os jovens que ganharam o apoio da torcida.

Antes, no intervalo e no final do jogo, os torcedores protestaram contra a diretoria e jogadores que fizeram parte da campanha da queda e que estavam em campo - casos de Artur, Juninho, Correa e Obina que foram xingados. A garotada só recebeu aplausos, mesmo após a derrota.

Com a bola rolando, o grito de Palmeiras ecoou mais forte do que as vaias, inclusive quando a equipe levou os gols. Os torcedores sabiam que em campo estava um novo time, que tinha pouca culpa por tudo que havia acontecido no Brasileirão. E os meninos honraram o apoio, mas, como já era de se esperar, sentiram a pressão da situação de um gigante que tenta se reerguer. O time era outro, mas o carma era o mesmo.

O Palmeiras estava bem, até que aos 16 minutos do primeiro tempo, em um cruzamento despretensioso do Atlético, Raphael Alemão, sempre tão elogiado nos treinamentos e ganhando a chance de sua vida, cortou errado e ajeitou para Rayllan, de cabeça, abrir o placar.

Se fosse em outros tempos, passaríamos a ver um time abatido e com medo, desesperado para conseguir reverter o resultado. Enquanto nas arquibancadas a torcida fazia barulho com bastões de plásticos com os dizeres "Amor não tem divisão" e "Palmeiras minha vida é você", os garotos suavam a camisa.

E aos 25, Correa cobrou falta para a área e após desvio de Obina e Vinícius, Patrick Vieira mandou para as redes e foi comemorar com a pequena, mas apaixonada torcida no frio Pacaembu - apenas 4.244 pagantes, o pior público do time neste Brasileirão.

Das tribunas, Barcos (suspenso) viu Obina pisar na bola, literalmente, nos minutos finais do primeiro tempo, no momento em que iria chutar a bola para o gol, lance que ajudou a explicar os motivos de ter sido tão xingado antes de iniciar a partida.

No segundo tempo, tudo mudou, o novo Palmeiras voltou acuado e em alguns momentos lembrou o velho e rebaixado Alviverde. Aos 12, Ernandes chutou rasteiro de fora da área e fez o segundo do Atlético.

Os palmeirenses lutaram, mas não conseguiram evitar a derrota. Ao final da partida, palmas para os garotos e vaias aos considerados culpados.

O Palmeiras vai anunciar até quinta-feira a lista dos jogadores que não vão ficar para a próxima temporada. Os jogadores já estão definidos, mas antes de seus nomes saírem na imprensa, vão conversar com a diretoria.

Em relação ao jogo, Gilson Kleina espera que a torcida não avalie os garotos da base apenas pela atuação de ontem.

"Não se pode analisar só por esse jogo. Temos garotos com muito potencial e eles não tiveram culpa da queda, mas farão parte da reconstrução do time."

O goleiro Raphael Alemão admitiu que falhou no primeiro gol. "Errei não tenho vergonha de falar, mas não vou errar toda vez, posso garantir. Acho que mereço uma nota 3 pelo que fiz."

Os torcedores pouparam os jovens das críticas, mas xingaram os atletas mais experientes. "Que bom que xingaram a gente e não os garotos. A gente assume a bronca", falou Obina. /D.B.

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