Livro conta a história da Espanha vitoriosa

Jimmy Burns explica como a Fúria decadente se transformou em La Roja, campeã na Copa do Mundo e bi na Euro

VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

15 Julho 2012 | 03h03

A Espanha entrou para história do futebol ao conquistar a chamada Tríplice Coroa - duas Eurocopa e um Mundial. A vitória por 4 a 0 na final contra a Itália, na Euro encerrada recentemente, reforça a ideia de que os espanhóis, donos de um estilo único, têm o melhor time do mundo na atualidade. Isso, porém, provocou uma discussão sem fim, principalmente na imprensa internacional logo após o novo triunfo: teria esta seleção atingido um patamar comparado à brasileira campeã de 70?

É uma pergunta sem resposta. Mas como o futebol espanhol atingiu este estágio pode ser explicado, em parte, por um livro recém-lançado na Inglaterra e nos Estados Unidos: "La Roja, How Soccer Conquered Spain and How Spanish Soccer Conquered the World" (La Roja, Como o Futebol Conquistou a Espanha e Como o Futebol Espanhol Conquistou o Mundo), do escritor e jornalista Jimmy Burns, que escreve para o Financial Times e outras publicações europeias. Sem publicação no Brasil, o livro (editora Nation Books, 384 páginas) custa US$ 9,34, em versão e-book na Amazon.

"La Roja é uma seleção que pode fazer história no futebol mundial. É um time de futebol de fato, há um sistema de jogo fluído, e todos são grandes jogadores. Quando as gerações futuras olharem para trás vão falar da Espanha de Xavi, de Iniesta, mas também de Casillas, Ramos, Piqué, e não de um só jogador", disse o escritor ao Estado, por telefone.

Burns, que nasceu em Madri e vive entre a capital espanhola e Londres, evita comparar a La Roja e a seleção brasileira de Pelé, ou outras grandes equipes, como a seleção alemã de Beckenbauer e a holandesa de Cruyjff. "O futebol mudou, existe mais pressão por competição, mais pressões comerciais e por transformar o jogador em celebridade. E, apesar disso, de toda essa pressão maior que no passado, a Espanha produz um futebol coletivo e que encanta."

O livro, escrito e publicado antes da conquista da Euro 2012, reconstrói a história do futebol espanhol desde o final do século 19, introduzido no país pelos ingleses, até a conquista da então inédita Copa do Mundo na África do Sul.

Em mais de um século, mudou o país, mudou o futebol espanhol e algo mais: o nome de uma seleção. A La Roja, leve, técnica e habilidosa, entrou no lugar da decadente Fúria, associada ao futebol força. Essa mudança de identidade, sustenta Burns, foi fundamental. "A Fúria estava associada à seleção espanhola dos anos de (Francisco) Franco (ditador entre os anos 30 e 70), era agressiva, baseada na força física, ainda com influência inglesa."

O início da transformação, segundo ele, se deu com a passagem de Cruyjff, no Barcelona, nos anos 70, e culminou novamente no Barça, na era Guardiola. Burns considera o ex-treinador da seleção, Luís Aragonês, como um dos criadores do termo La Roja, em 2008. "Quando Aragonés decidiu não levar Raúl para Eurocopa (em 2008) ele quebrou com um passado, com o velho Real Madrid, e mostrava um novo caminho, o do Barcelona."

A chegada de Vicente del Bosque reforçou, segundo ele, a força da La Roja, acabando com as rixas internas entre jogadores do Real Madrid e do Barcelona e unificando um país, apesar da veia nacionalista dos bascos e catalães. Com Del Bosque vieram as conquistas da Copa de 2010 e da Euro 2012. "Para mim, a maior marca da La Roja é o espírito de solidariedade, não há briga de egos, e serve até de exemplos para os mais jovens."

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