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Livro dos recordes

O nono empate do Corinthians no Campeonato Brasileiro merece entrar para o Livro dos Recordes. Não pela quantidade de igualdades alcançadas durante a competição, mas pelo volume de tentativas táticas de seu treinador e pela busca de alternativas ao longo dos 90 minutos.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2013 | 02h08

Dos jogadores escalados por Tite para enfrentar o Náutico, somente três começaram e terminaram o confronto em seus posicionamentos iniciais: o goleiro Danilo, o zagueiro Gil e o lateral esquerdo Igor.

Os demais rodaram, foram sendo sistematicamente tentados em funções diferentes, até Paulo André deixar a defesa para se transformar em atacante, pela simples presença física na área contrária.

As ausências de Pato e de Guerrero destruíram o Corinthians. O jogo contra o último colocado foi um martírio. Mesmo com Émerson, Douglas, Guilherme, Renato Augusto, Cássio e Fábio Santos fora de combate, devido suspensão ou contusão, ainda haveria uma saída se os dois atacantes não tivessem sido convocados por suas seleções.

O desrespeito ao calendário mundial deixou Tite doidinho. Não por falta de experimentações e tentativas frustradas de melhorar o rendimento com a bola rolando. Para montar o time, o treinador foi obrigado a mexer em todos os setores. Começou com Danilo; Alessandro, Gil, Paulo André e Igor; Ralf e Edenílson; Íbson, Danilo, Romarinho e Léo.

Não havia centroavante. Há quem prefira até jogar sem eles, mas no caso do Corinthians atual é impossível, não funciona. A área ficou vazia. Vazia por não existir ninguém com as características adequadas, e pela dificuldade do time em conduzir a bola da defesa para o ataque com um mínimo de qualidade.

E aí começaram as mudanças. A primeira ideia de Tite foi inverter Léo e Íbson de lado. Depois, ele enviou Danilo para a área e Romarinho ficou centralizado no meio-campo. E assim seguiu a partida, sem nenhuma resposta relevante, mas em constante transformação.

As tentativas continuaram, Edenílson virou lateral e Alessandro foi para o meio de campo. Paulo Victor substituiu Léo e Danilo seguiu para o lado direito do ataque. O auge, entretanto, foi quando Ralf virou zagueiro e Paulo André se transformou em centroavante.

Com Pato e Guerrero seria outro time. Edenílson começaria na sua atual posição, a lateral direita; Íbson seria mantido na função de segundo volante; Romarinho e Pato jogariam pelos lados e Guerrero ocuparia a área. Apesar de tantos desfalques, as seleções brasileira e peruana foram responsáveis por aumentar o número de cabelos brancos de Tite.

Alheia ao problema dos clubes, já que a missão de seus cartolas parece mesmo ser a de estragar o futebol, a CBF permanece atenta apenas à seleção, que na semana passada ganhou seu 13.º patrocinador.

É impossível saborear essa gororoba em que se transformou o calendário nacional com os jogos do grupo de Felipão misturados com o Campeonato Brasileiro. Scolari não tem culpa, afinal precisa montar a equipe para a Copa do Mundo. O problema está na composição dessa perversidade chamada calendário do futebol.

CRISE TRICOLOR

O São Paulo encerra o turno mergulhado na lama da zona do rebaixamento. É mais grave que uma simples turbulência momentânea. Em oito dias jogou quatro partidas, disputou 12 pontos e ganhou apenas quatro. A situação é gravíssima, interfere no lado emocional da equipe que por sua vez limita a reação no campo.

A cada rodada aumenta o buraco. Os resultados não são suficientes para tirar os demônios da cabeça de cada jogador, até dos mais experientes como Rogério Ceni. Sem os pontos, a confiança permanece em baixa e impacta no rendimento.

Está perigoso. Pior quando a agenda não permite recuperar os jogadores entre as partidas e reconstruir uma identidade vencedora. Os treinamentos acabam se transformando em lamentação coletiva, mesmo com Paulo Autuori no comando.

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