Lixeira de Ouro, 1º título de Adriano na Roma

Atacante, desejado por Corinthians e Palmeiras, retornou à Itália falando em vida nova, mas foi eleito o pior do ano

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2010 | 00h00

Adriano trocou o Flamengo pela Roma, no meio do ano, para "mostrar maturidade e ganhar títulos." Após cinco meses de clube, ao qual chegou bem acima do peso, ele pouco jogou, se diz cansado com a reserva e quer sair. Corinthians, Palmeiras e Flamengo lutam para tê-lo em 2011, embora dirigentes romanos digam que não vão liberá-lo na próxima temporada. Não deixará a capital italiana de mãos vazias, contudo. Ontem, o Imperador foi agraciado com seu primeiro prêmio na nova casa: o troféu Bidone d"Oro (lixeira de ouro), promovido pelo programa Catersport, da Rádio 2, da Rai, que elege o pior jogador da temporada italiana.

Numa eleição de 4.064 ouvintes da rádio, via internet, o atacante brasileiro quase dobrou os votos em cima do segundo colocado, o compatriota naturalizado italiano Amauri, da Juventus, para erguer a taça - que ninguém gostaria de ganhar - pela terceira vez. O campeão de 2006 e 2007, quando defendia a Internazionale, recebeu 22,42% dos votos dos torcedores, indignados com sua volta ao país. Amauri, com 12,76%, ficou com o vice e Ronaldinho Gaúcho, do Milan, levou o bronze, com 10,11%.

Parece perseguição a brasileiros, mas alguns ídolos dos italianos e tetracampeões em 2006 também foram lembrados. O zagueiro Fabio Cannavaro, eleito o melhor jogador do mundo na quarta conquista da Azzurra, levou 9,91% dos votos, um pouco acima de Marco Materazzi, vítima da cabeçada de Zidane na final da Copa da Alemanha, com 9,34%.

Adriano pode ficar aborrecido com a brincadeira, uma sátira à Bola do Ouro, dada aos melhores da temporada, mas tem bons motivos para levar o amargo título. Ele chegou a Roma bem acima do peso (oito quilos, de acordo com sua balança, sempre generosa) e, durante os cinco meses no novo lar, não presenteou os torcedores com seus gols. Além de ter faltado a um treino, ele amargou a reserva, atuou por apenas 142 minutos (três jogos) e virou persona non grata para o técnico Claudio Ranieri, com o qual chegou a bater boca. A Roma até buscou Borriello no Milan.

Adriano estreou pela Roma no dia 21 de agosto e, ali, viu que não teria vida fácil. Totalmente fora de forma, entrou na segunda etapa, foi muito vaiado pelos torcedores da Internazionale e ainda viu o ex-clube conquistar a Supercopa da Itália com vitória por 3 a 1. Engana-se, porém, quem pensa que Adriano é o único brasileiro eleito pelos italianos. No ano passado a taça foi para Felipe Melo, da Juventus (que concorreu novamente em 2010). Rivaldo também ganhou, em 2003. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

A VOTAÇÃO

Adriano é tricampeão do Bidone d"Oro, com 22,42% dos votos dos ouvintes da Rádio 2, da Rai. O atacante já havia levado o indigesto prêmio em 2006 e 2007, quando defendia a Inter.

Amauri, atacante brasileiro naturalizado italiano, que joga pela Juventus, ficou em segundo, com 12,76% dos votos.

Ronaldinho Gaúcho foi o terceiro, com 10,11% da (não) preferência dos torcedores. Meia do Milan começou bem o ano, mas agora amarga reserva.

Fabio Cannavaro, eleito o melhor do mundo em 2006, ano em que a Itália foi tetracampeã mundial em solo Alemão, acabou em quarto, com 9,91%.

Marco Materazzi, com 9,34% fechou a votação em quinto.

PARA ESQUECER

3

jogos com a camisa da Roma o atacante Adriano fez em sua volta à Itália, não marcando

nenhum gol

142

minutos só o jogador atuou, demonstração de que não está nos planos do técnico Cláudio Ranieri, com quem até já bateu boca

8

quilos acima do peso ele estava na apresentação, no meio do ano

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