Leo La Valle/Efe
Leo La Valle/Efe

Londres 2012, aí vamos nós!

Seleção brasileira vence a República Dominicana por 83 a 76 e garante vaga nos Jogos Olímpicos depois de uma longa ausência de 16 anos.

, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2011 | 00h00

MAR DEL PLATA

Faltavam menos de dez segundos para o fim do jogo e Marcelinho Machado, de 36 anos, estava posicionado na linha de lance livre. Foi ele quem marcou o último ponto da vitória que levou o Brasil de volta aos Jogos Olímpicos, após 16 anos de ausência. Pronto para converter, definindo o resultado de 83 a 76 contra a República Dominicana, o ala, veterano de cinco Pré-Olímpicos, não conseguiu segurar as lágrimas. O Brasil havia vencido, na noite de ontem, um dos seus jogos mais importantes das últimas duas décadas.

Marcelinho Machado foi um dos heróis da classificação brasileira, conquistada na base do sofrimento - os dominicanos, que haviam imposto à seleção sua única derrota em Mar del Plata, brigavam por uma inédita classificação aos Jogos.

Mas o ala do Flamengo, em sua última chance de disputar uma Olimpíada, saiu do banco e dominou a pontuação do Brasil - teve 20 acertos. Também foi protagonista o armador Marcelinho Huertas, com 19 pontos, que, apesar de uma atuação irregular, não deixou a quadra um minuto sequer. Monstro no garrafão, o pivô Rafael Hettsheimeir, revelação do País no Pré-Olímpico, marcou 14 pontos e foi o principal reboteiro, com 8 bolas.

O clima de comoção tomou conta do Polideportivo Islas Malvinas, em Mar del Plata - pelo menos em quadra, entre os brasileiros, já que das arquibancadas, tomada por argentinos, a manifestação era sempre de hostilidade. Mas isso não minimizou a festa que já se desenhava nos segundos finais do jogo, quando efusivos abraços já celebravam a vaga para a Olimpíada de Londres, em 2012. Desde Atlanta/1996 o Brasil não participava dos Jogos.

O tempo para comemorar foi curto, já que logo em seguida, Argentina e Porto Rico enfrentaram-se para definir a outra semifinal (e, consequentemente, a segunda equipe classificada para Londres). A final será disputada hoje, às 21h15.

Mesmo assim, os jogadores fizeram o "peixinho", deslizando pela quadra, pegando emprestada a celebração da equipe de vôlei masculino. Também cantaram, dançaram e choraram. Tudo sob o olhar orgulhoso do argentino Rubén Magnano, técnico campeão olímpico em Atenas/2004, que assumiu a seleção no início do ano passado com o objetivo de conseguir a sonhada classificação. "Acho que estou vivendo uma das grandes emoções da minha vida", disse.

Celebração. "Essa vaga representa muita coisa. Você trabalha anos para conquistar isso e não vem, não vem... Mas esse ano o mérito é nosso, nos dedicamos muito, foram dois meses treinando e abdicando de muita coisa para chegar num momento como esse. É uma alegria indescritível", disse Marcelinho Machado ao SporTV.

De seus 20 pontos, 15 foram marcados em chutes de três - característica de Marcelinho muitas vezes criticada. O técnico da República Dominicana, o americano John Calipari, assumiu que a arma brasileira lhe pegou desprevenido. "O Brasil nos surpreendeu com as bolas de três. Poderíamos ter vencido, mas acho que nos faltou sorte."

O Brasil conseguiu a vaga olímpica sem três dos atletas que atuam na NBA - o pivô Nenê Hilário e o ala-armador Leandrinho pediram dispensa por motivos pessoais, e o ala-pivô Anderson Varejão, lesionado, chegou a se apresentar, mas foi cortado.

No grupo que Magnano levou a Mar del Plata, estavam velhos conhecidos, como o armador Nezinho, os alas Alex Garcia e Marquinhos, além dos pivôs Guilherme Giovannoni e Tiago Splitter. Mas, também, novos valores, como o armador Rafael Luz, o ala-armador Vitor Benite e os pivôs Rafael Hettsheimeir e Augusto Lima (leia abaixo).

A mistura entre experientes e novatos causou algumas dificuldades ao Brasil no início do Pré-Olímpico. As duas primeiras partidas, contra Venezuela e Canadá, terminaram em vitória, apesar do sufoco. Em seguida, veio a derrota para a República Dominicana - a única em nove partidas. No jogo contra Cuba, a seleção fez sua pior apresentação. Mas, diante do rival mais fraco que enfrentou, venceu.

Nas quartas de final, o time mostrou a que veio. Passeou contra Uruguai (93 a 66) e Panamá (90 a 65). Depois, no dia 7 de setembro, conquistou uma vitória histórica: derrotou a Argentina, em seus domínios, por 73 a 71. Em seguida, bateu Porto Rico, rival sempre perigoso, por convincentes 94 a 72. Classificado às semifinais como a melhor campanha, faltava ao Brasil vencer o jogo que realmente interessava. E a vitória veio, assim como o carimbo no passaporte para Londres.

Dirigente não quer Nenê e Leandrinho

Presidente da CBB, Carlos Nunes acha que Nenê e Leandrinho não devem ir a Londres. "É complicado dizer isso, mas acho que só o Varejão tem lugar, né", afirmou ao site globoesporte.com. "Nada contra quem não veio, mas esses guris deram o sangue, e agora tem um filezinho mignon, e eles vão ficar fora?".

O JOGO

Primeiro quarto: Com 4 pontos de Marquinhos, o Brasil começou vencendo a partida. Fechou a parcial em 18 a 17.

Segundo quarto: Rafael Hettsheimeir foi o destaque, na parte ofensiva e defensiva. Mas foi Marcelinho Machado que tirou o Brasil do sufoco e marcou, de três, para fechar o período com 39 a 36.

Terceiro quarto: O Brasil passou dificuldades na primeira metade, que ficou empatada por 45 pontos. No período final, a seleção reagiu, novamente com Marcelinho, e fez 62 a 55.

Quarto quarto: Com quatro jogadores pendurados, foi no último período que o Brasil abriu sua maior diferença no placar: 10 pontos.

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