Londres é cobrada por promessas

Para ter Jogos de 2012, cidade se comprometeu a pagar R$ 56 mil aos 205 comitês olímpicos e aos 168 paraolímpicos

Jamil Chade ENVIADO ESPECIAL / ZURIQUE, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2010 | 00h00

ZURIQUE

O recente escândalo envolvendo integrantes da Fifa está provocando uma corrida para garantir que promessas feitas no passado por candidatos sejam cumpridas. Em sua campanha para receber os Jogos Olímpicos de 2012, Londres prometeu a cada um dos 205 comitês olímpicos nacionais e aos 168 paraolímpicos uma bolsa de mais de R$ 56 mil.

O dinheiro seria usado para que os países pudessem preparar seus atletas para os Jogos. A oferta teria atraído o interesse especialmente das nações mais pobres. O "presente" custaria mais de R$ 24 milhões aos ingleses.

Nesta semana, enquanto se revelava que membros da Fifa estariam negociando "doações", os organizadores dos Jogos em Londres notaram que várias associações em todo o mundo ligaram para tentar apressar o envio do dinheiro. Um encontro ainda na Ásia também mostrou a frustração dos países diante da demora em receber o dinheiro.

Países pequenos argumentam que, se o recurso for usado para de fato preparar atletas, deve ser entregue agora. O Comitê Organizador da Olimpíada já prometeu rever a estratégia e considerar o pedido de cada um.

Integrantes da Fifa e do COI admitem que o dinheiro solicitado pelos dois membros da Fifa é apenas "trocado" perto do que oficialmente governos vêm oferecendo como doações para entidades e membros. Os valores variam entre R$ 2 milhões e R$ 5,7 milhões.

Na Fifa, a história de doações estão de fato cada vez mais comuns. Na semana passada, o governo inglês anunciou que daria R$ 192 milhões por ano para que a Fifa invista em desenvolvimento social e no futebol em regiões mais pobres entre 2011 e 2018. O projeto foi chamado de Football United e, claro, apenas entraria em vigor se a Inglaterra ganhasse o direito de receber a Copa do Mundo de 2018.

Um dia antes desse anúncio, a Coreia do Sul prometeu R$ 1,2 bilhão para ajudar no desenvolvimento do futebol e das condições de vida de populações mais pobres até 2022, se a Copa for dada a seu país.

PRESENTINHO COREANO

1,2

bilhão de reais é quanto a Coreia do Sul oferece aos países mais pobres para ajudar a desenvolver a prática do futebol, caso ganhe o direito de organizar a Copa do Mundo de 2022

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.