Londres em alerta contra Al Qaeda

Londres em alerta contra Al Qaeda

Autoridades britânicas reiteram preocupação com a segurança nos Jogos. Nível é o 2º mais alto em cinco estágios

LONDRES, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2010 | 00h00

A ameaça de ataques terroristas é a principal preocupação dos organizadores dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e evitar uma tragédia durante a realização do torneio será o maior desafio do país desde a Segunda Guerra Mundial. Esta foi a declaração de Alan West, vice-ministro de Segurança do Reino Unido, em um evento para informar a imprensa sobre os preparativos de segurança dos Jogos, ontem.

O governo britânico já demonstrava preocupação com o assunto no relatório sobre estratégias antiterrorismo divulgado pelo Ministério do Interior, anteontem. "A maior ameaça contra este país ainda é a rede terrorista Al Qaeda, que é muito rápida em aprender novas tecnologias e maneiras de operacionalizar ataques", afirmou West. O vice-ministro lembrou, ainda, que o atual nível de ameaças terroristas está em "severo" (o segundo mais alto entre cinco estágios), o que significa que o risco de um ataque é bastante alto. Tal situação será mantida pelo menos até depois dos Jogos.

Londres espera receber cerca de 50 mil pessoas no período de realização dos Jogos, entre atletas, técnicos e oficiais. A organização do evento deve iniciar, já no primeiro semestre de 2011, o processo de comercialização de 8 milhões de ingressos.

O Reino Unido tem investido, desde 2001, em um pesado programa de ações antiterroristas. Isso não evitou, porém, que o metrô de Londres fosse alvo de um ataque em 7 de julho de 2005, um dia depois de a cidade ter sido anunciada como sede dos Jogos. Na ocasião, 52 passageiros morreram, assim como 4 homens-bomba. Os gastos com segurança chegaram a US$ 6 bilhões (quase R$ 11 bilhões) - deste total, US$ 1 bilhão (R$ 1,77 bilhão) tem sido investido especificamente para os planos de segurança da Olimpíada. "Desde 2005, nossa nação está mais segura, mas não em segurança. A ameaça ainda existe", disse West, em entrevista no fim de 2009.

Novas formas de ataque. West afirma que Londres tem levado em consideração novas modalidades de ataques terroristas. Anteontem, o governo anunciou que manterá um centro especializado em segurança marítima. A nova frente vai atuar no combate aos piratas que atuam na África, mas também estará atenta à possibilidade de ataque por água. Oficiais afirmam que uma invasão a partir do rio Tâmisa deve ser considerada como factível - terroristas poderiam utilizar pequenos barcos de alta velocidade para infiltrar atiradores no centro de Londres.

O vice-ministro lembrou, também, o uso de barcos como parte da estratégia do ataque terrorista que atingiu Mumbai, na Índia, em novembro de 2008 - 166 pessoas morreram. "Situações como as presenciadas neste caso mostram que devemos olhar, de maneira atenta, o nosso domínio marítimo."

West também afirmou que não ignora a possibilidade de que possam surgir outras demandas de risco no período dos Jogos. Por isso, segundo ele, o país se prepara para enfrentar uma pandemia, uma forte onda de calor ou enchentes.

PARA LEMBRAR

Terrorismo abalou Munique e Atlanta

O terrorismo passou a ser visto como um desafio real na organização de eventos esportivos a partir dos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. No dia 5 de setembro, 11 membros da equipe israelense foram feitos reféns na Vila Olímpica pelo grupo terrorista palestino Setembro Negro - dois atletas foram mortos ainda no alojamento e o restante (assim como cinco terroristas), na tentativa frustrada de resgate no aeroporto.

O mesmo ocorreu em 1996, na edição de Atlanta, que marcou o centenário dos Jogos modernos. Um atentado a bomba no Parque Olímpico matou uma pessoa e deixou mais de 100 feridas. Os norte-americanos não sabem, até hoje, a autoria do ataque.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.