Longe das quadras, mas não da torcida

Quase três anos após se aposentar, Guga começa a entender sua importância como ídolo do esporte nacional

Bruno Lousada, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2010 | 00h00

O jogo festivo contra o norte-americano Andre Agassi, no sábado, não serviu apenas para o tenista Gustavo Kuerten matar a saudade das quadras e da raquete e se reencontrar com a vitória. Ao ver a torcida lotar o Maracanãzinho e entoar seu nome a todo instante, numa devoção comum aos grandes ídolos, Guga admitiu que somente agora, quase três anos depois de se aposentar, começa a entender a sua importância para o esporte do País.

"É magnífico. Eu não pensava nisso quando jogava, talvez pelo excesso de compromissos. Fui agraciado pelo que fiz na carreira e por minha conduta. Agora, comecei a entender esse papel (de ídolo). Consigo ver que tenho impacto na vida das pessoas."

Após a partida de exibição, em que derrotou Agassi por 2 sets a 0, Guga assistiu, num telão montado no ginásio, aos principais momentos de sua carreira e, enrolado na bandeira do Brasil, chorou. Nas arquibancadas, muitas pessoas também não seguraram as lágrimas.

Ainda em quadra, ele recebeu homenagem da mãe, dona Alice, e do ex-técnico Larri Passos, e voltou a se emocionar. Depois, bem descontraído, cantou ao lado do roqueiro Roberto Frejat a música Pro dia nascer feliz, que, curiosamente, tem em sua letra o verso "vai e vem dos teus quadris" - Guga sofreu várias contusões nesta parte do corpo e, por isso, teve de abreviar sua carreira, aos 31 anos.

"Falava de quadril na música? Eu nem sabia. Estava tão nervoso que nem reparei", respondeu, abrindo largo sorriso. Até hoje ele sente dores no quadril e jogou contra Agassi com uma proteção na região. "Sinto incômodo constantemente para correr e deslocar para os lados. Controlo isso com fisioterapia."

Bom humor. A derrota no sábado não tirou o bom humor de Agassi, que não encarou o jogo contra Guga como um amistoso. "Quando nos enfrentávamos no circuito, eu levava vantagem porque era mais velho e tinha mais experiência. Agora, a experiência é a mesma para os dois. Eu sou apenas mais velho", brincou.

Simpático, Agassi retornou ontem para os Estados Unidos com boa impressão do Rio. "Vi algo aqui que diz muito sobre a grande cidade de vocês. Outro dia vi cidadãos do Rio aplaudindo policiais. Quando você vê isso, sabe que é um bom lugar para viver."

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