Longe de casa

Os números explicam: melhor ataque com 59 gols, melhor defesa com 28 sofridos e 11 vitórias como visitante, marca extraordinária para a realidade do futebol brasileiro. Sem o Maracanã, o Fluminense praticamente não encontrou diferença entre jogar dentro ou fora de casa.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2012 | 02h02

Com o estádio do Botafogo, o Engenhão, como base, o Flu jogou fora de casa o tempo todo. Boa parte do título se deve ao comportamento do grupo no campo de seus adversários. Mérito de Abel Braga e de um artilheiro chamado Fred, o dono da grande área, a materialização da frieza de uma campanha que ainda não terminou.

Mas para Abel chegar lá faltava uma partida, justamente contra o Palmeiras de seu amigo Gilson Kleina. Dentro de campo o futebol não deixa espaço para amizade. E assim foi o jogo, com mais emoção que velocidade sob o sol intenso de Presidente Prudente.

Passa o tempo, passam os jogos, só não passa a agonia palmeirense. A 35.ª rodada do Brasileiro terminou sem o gostinho de esperança, apesar de uma delicada sobrevida matemática, graças a uma necessária e improvável combinação de resultados. É isso, o Palmeiras lutou, e muito, mas não conseguiu reagir.

O Fluminense não é um time encantador. Como não foram o Corinthians de 2011 ou o Flamengo de 2010. O futebol bonito não tem sido a realidade nem a meta dos principais clubes brasileiros. Infelizmente ainda não chegamos a esse nível de excelência. O momento é de transição, de luta pela sobrevivência para depois tentar buscar outros valores igualmente importantes, como a qualidade do jogo.

A palavra do momento é pragmatismo, da qual gostamos demais, além da conta. Enquanto as dívidas não forem tratadas com seriedade e os clubes cuidarem de suas estruturas como a base de toda atividade do futebol, a corda vai continuar bamba.

O Fluminense é um exemplo disso. Possui dívida na casa dos R$ 400 milhões, mas vive garantido pelo dinheiro da Unimed, e não é pouco. Trata-se de uma estabilidade perigosa, talvez artificial, sustentada por grandes jogadores, mesmo que ainda sem um local adequado para os treinamentos. O título de 2012 mora no talento de vários jogadores e na capacidade de Abel Braga manter o time organizado e coeso desde o início do campeonato.

No primeiro turno, o Flu ficou a apenas um ponto da histórica campanha do Atlético-MG. Com 73% de aproveitamento, o segredo foi a manutenção de um trabalho linear, com poucos tropeços e uma defesa segura.

Fred resume bem esse título. Os 19 gols marcados até agora mostram o domínio exercido na grande área. Ele também perde suas oportunidades, mas marca muito. O Palmeiras que o diga. Individualizar a conquista, porém, seria injustiça diante de gente como os volantes Edinho e Jean e do goleiro Diego Cavalieri.

O campeão brasileiro é incontestável. Não brilhou, não encantou, mas não sofreu para ganhar o título.

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