Louros para Tite

Luis Paulo Rosenberg não deveria ter criticado publicamente o time do Corinthians, chamado por ele de "medíocre". O ex-vice de marketing extrapolou seu papel e desvalorizou o próprio grupo com a ação "antimarketing". Mas, cá entre nós, Rosenberg, hoje vice-presidente do clube (embora de forma infeliz), disse o que muitos pensam no próprio clube. O Corinthians tem hoje ótima equipe formada por uma base de atletas medianos, nenhum fora de série ou candidato a astro internacional.

Eduardo Maluf, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h06

Bem, para não ser injusto, os corintianos têm, sim, um craque de quem se orgulhar. Ele não entra em campo, não estufa a rede adversária, não defende chutes difíceis, mas faz a diferença. Adenor Leonardo Bacchi, ou Tite, merece todos os louvores pelo trabalho feito desde o fim de 2010, quando foi contratado sob olhares desconfiados por boa parte da Fiel.

Tite conseguiu fazer algo raro no Brasil nas últimas temporadas. Montou um time equilibrado nos três setores, eficiente e competitivo, mesmo sem contar com nenhum nome de peso no elenco.

Os três principais jogadores na campanha da Libertadores são o goleiro Cássio, até outro dia desconhecido, Paulinho, fundamental, porém pouco badalado, e Danilo, um meia-atacante clássico em fim de carreira. Quase apostaria que nenhum atleta teria grande destaque na Europa ou em outro clube. Esses briosos alvinegros brilham pela força do conjunto e pela organização tática, feito alcançado pela determinação de seu treinador.

Tite não jogou a toalha depois da incrível derrota para o Tolima na pré-Libertadores do ano passado e, apoiado pela diretoria, passou a liderar um grupo vitorioso. Em 2011, chegou à final do Paulistão e foi campeão brasileiro. Agora põe o Corinthians pela primeira vez na decisão continental.

Vários adversários têm jogadores de mais nome. O Inter, por exemplo, se exibe com Oscar, Leandro Damião, D'Alessandro. O Fluminense se orgulha de seu setor ofensivo: Deco, Thiago Neves, Fred, Rafael Moura, Rafael Sóbis. Ninguém, contudo, apresenta a eficiência da equipe paulista, embora ela não jogue um futebol artístico.

O Santos, para mim, é o melhor do Brasil sempre que conta com Neymar inspirado. Quando o atacante cai de produção, o rendimento do time sofre abalo irreparável. Às vezes badalamos demais personagens como Arouca e Ganso, ótimos jogadores, mas longe de extraordinários. O Santos mostrou já em 2011 e confirmou agora contra Vélez e Corinthians sua enorme dependência de Neymar. Ou o garoto decide ou os resultados não aparecem.

Em algumas ocasiões os talentos acima da média resolvem campeonatos ou jogos quase sozinhos, como fez Messi contra nossa seleção há duas semanas. O mais comum, no entanto, é o sucesso do trabalho em equipe.

O individualismo sem moderação costuma levar a fracassos como o do São Paulo contra o Coritiba. Lucas e Luis Fabiano, bem mais afamados que os colegas do Parque São Jorge, deveriam aprender a lição com o Corinthians.

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