Lucas devolve a grandeza ao São Paulo

Vendido ao PSG, craque volta da seleção e vira peça importante na reabilitação do Tricolor diante da Ponte Preta

PAULO GALDIERI, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2012 | 03h02

O efeito foi imediato. Na primeira bola que chegou aos pés de Lucas jogadores, torcida, treinador do São Paulo tinham certeza de que as coisas estavam diferentes em relação à noite de quarta-feira, na derrota para o Náutico.

A dúvida se o jogador protagonista da maior negociação da história do futebol brasileiro já estaria com a cabeça bem longe do Morumbi se dirimiu em pouco tempo. Com Lucas em campo, o São Paulo pareceu outro time e, com facilidade, venceu a Ponte Preta por 3 a 0, ontem, no Morumbi, com direito a um gol dele.

O retorno de Lucas ao time foi celebrado com a vitória, com direito a um golaço dele e a tantas outras jogadas em que enfileirou os defensores da Ponte e só parou quando foi derrubado.

E, com as atenções do rival voltadas para seus dribles e sua velocidade, ficou mais fácil para outros jogadores subirem o nível de suas atuações. Jadson, Maicon, Ademilson e Cortez se beneficiaram da liberdade que encontravam quando recebiam a bola com uma marcação menos apertada, já que boa parte dos esforços dos jogadores da Ponte estavam voltados para parar Lucas.

Com tanta preocupação em parar Lucas, a Ponte quase não ofereceu perigo ao São Paulo. Foram poucas as vezes que o time campineiro passou do meio de campo e arriscou-se - mesmo depois de ter levado o primeiro gol, em pênalti cobrado por Rogério Ceni.

Pouco depois, Lucas também marcaria o seu gol, depois de uma bonita troca de passes dos são-paulinos.

A Ponte também não soube testar a zaga são-paulina com a jogada que mais tem causado falhas do time: as jogadas aéreas. Rafael Toloi e Edson Silva tiveram vida fácil pelo alto.

Mexida tática. A formação tática são-paulina, que entrou para jogar de um jeito, mas se arrumou em campo e atuou de outro, também contribuiu para que o time interrompesse a série de três derrotas seguidas. Paulo Assunção começou a partida no lugar de Douglas, como ala pela direita. Mas, ainda no primeiro tempo, Paulo Miranda passou a fazer a função de lateral-direito, fazendo o time trocar o 3-5-2 pelo 4-4-2, e Assunção foi para o meio jogar em sua posição original, como volante. A mudança deu maior consistência ao setor e aumentou a proteção à zaga, dando liberdade a Maicon e Jadson.

Em vez disso, era Lucas quem ocupava aquela região do campo. Ocupava e preocupava a Ponte a cada vez que buscava jogo no meio e saía em disparada.

A saída de Lucas, poupado por Ney Franco, deixou claro como o São Paulo teve o ritmo ditado por ele. Sem o camisa 7, o time voltou ao ritmo mais lento e pouco eficaz no ataque das últimas três partidas. Coube a Osvaldo, que entrou em seu lugar, fazer a grande jogada do segundo tempo e marcar um golaço.

Com o jogo resolvido desde a primeira etapa, o técnico ganhou a chance de também experimentar outras substituições. Graças a Lucas, o São Paulo teve a esperança renovada. E mais tempo para se acertar de vez.

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