Lucas Prado sonha alto e já mira 2016

Velocista do Mato Grosso, que perdeu 90% da visão de forma repentina, fala em chegar invicto aos Jogos do Rio

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2011 | 00h00

A Paraolimpíada de Londres só será disputada no ano que vem e a disputa do Rio está a cinco anos de distância no calendário. Mas, para o velocista mato-grossense Lucas Prado, os meses que separam o dia de hoje da Paraolimpíada do Brasil só servem para reforçar a façanha com a qual ele sonha: chegar a 2016 invicto. Na madrugada de amanhã, a partir das 3h49 (de Brasília), ele briga por sua primeira medalha em Christchurch, na disputa da final dos 100 m.

Tricampeão paraolímpico em Pequim 2008, quando ganhou os 100 m, 200 m e 400 m da categoria T11 (cegos), Lucas espera repetir a trinca de ouro em todos os torneios dos próximos cinco anos. E não serão poucos. "Só neste ano tenho o Mundial da IBSA (para cegos), na Turquia, e o Para-Pan de Guadalajara, além do Mundial aqui de Christchurch. Muita gente fala que eu sou louco, mas tenho de pensar alto, não é verdade?"

Lucas tem 25 anos e perdeu 90% da visão de repente, aos 18 anos, por causa do descolamento de retina causado pela coriorretinite. Em 2005, começou a correr e foi convocado para a seleção brasileira de atletismo. No ano seguinte, já totalmente cego, disputou seu primeiro Mundial.

Apesar da medalha de prata no revezamento 4 x 100 m das categorias T11-13, não ficou nada satisfeito. "Considero que estou fazendo minha verdadeira estreia agora", conta. "No primeiro eu estava nervoso, não conhecia os atletas. E o Mundial é mais forte que Paraolímpiada, justamente porque é seletiva. É no Mundial que surgem as novidades." Apesar de considerar o desempenho em Assen frustrante, Lucas viu que tinha condições de correr entre os melhores. "Saí de lá com a cabeça erguida. Vi que estava no caminho certo e que ainda não tinha chegado ao meu ápice."

O topo chegou mesmo em 2008. Na Olimpíada de Pequim, os três ouros surgiram acompanhados de dois recordes mundiais. Só falta melhorar a marca dos 400 m, que pertence desde 2004 ao angolano José Armando Savoio (50s03). "Já deixei essa marca por muito tempo nas mãos dele", brinca o velocista, referindo-se ao rival como um amigo. "Ele me inspirou muito em 2006. É guerreiro, um cara simples, que sempre diz que gosta de correr quando estou na prova."

A depender do desejo de Lucas, o recorde virá na terça-feira. "Desta vez sai. Cansei de bater na trave." Com a melhor marca pessoal em 50s28, o velocista garante que tem se aproximado do tempo de Savoio em treinos e até adotou nova tática: vai usar guia específico para a prova. Enquanto Justino Barbosa, que esteve com ele em todas as finais olímpicas em Pequim e correrá os 100 m e 200 m, Laércio Martins será o homem a acompanhá-lo na volta completa na pista do Parque Olímpico Rainha Elizabeth 2.ª.

QUEM É

LUCAS PRADO: Natural de Rondonópolis-MT, o atleta de 25 anos representa o Ajidevi, clube de Joinville-SC. Sua classe é a T11 (deficiente visual) e as provas de que participa são as de 100m, 200m e 400m. Em Pequim 2008, venceu suas três corridas, duas delas com recorde mundial.

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