Luciano Corrêa muda estilo pelo ouro na China

Humilde, campeão mundial aperfeiçoa fundamentos para não ser surpreendido

Wilson Baldini Jr., O Estadao de S.Paulo

13 de julho de 2008 | 00h00

O judô brasileiro desembarca no dia 5 de agosto em Pequim com a obrigação de manter a tradição de trazer pelo menos uma medalha para casa. Desde 1984, em Los Angeles, a modalidade sempre sobe no pódio olímpico. Esse é um desafio que não assusta Luciano Corrêa, campeão mundial dos meio pesados (até 100 quilos). ''Com ele, se não dá na técnica, vai na força'', orgulha-se o técnico Luís Shinohara, da equipe masculina do Brasil. ''Mas agora é o atleta mais visado da categoria'', constata. ''Precisa se aperfeiçoar.''Nascido em Brasília e radicado em Belo Horizonte, Luciano, aos 25 anos, demonstra uma humildade difícil de se notar em atletas que já atingiram o ponto máximo. Ao mesmo tempo, é uma característica comum aos praticantes do judô. ''Fui campeão, mas tenho muita coisa ainda para melhorar'', avisa. ''Tenho de criar variáveis para o meu judô. Serei mais visado e estudado. Não posso depender de uma tática. Caso contrário, serei anulado e não consigo lutar.''Dessa forma, Luciano se submeteu nos últimos meses a uma série de aperfeiçoamentos em sua maneira de lutar. ''Aprendi a lutar também andando para trás, para o lado, não só para cima do rival'', disse o judoca, durante desafio recente com a seleção japonesa, no Ginásio do Paulistano, em São Paulo. No judô, como em todas as lutas, o contra-ataque muitas vezes decide um combate.''Por ter um preparo físico excepcional, o Luciano sempre buscou muito a luta e, quando o ippon não vinha, ele acabava ficando afoito e vulnerável ao contra-ataque dos adversários'', ensina Shinohara. Na semifinal do Pan do Rio, ano passado, Luciano perdeu a semifinal para o cubano Oreidis Despaigne, por ippon, após receber um contra-ataque, e teve de se contentar com a medalha de bronze.Um dos fundamentos que sofreram alterações no estilo de lutar de Luciano foi a pegada no quimono do adversário. ''Passei a me preocupar em conseguir agarrar bem o oponente no início da luta e assim ter o domínio das ações'', revela. ''Muitas vezes começava mal e deixava que o rival pegasse mais facilmente em meu quimono.''Shinohara ficou satisfeito com o desempenho do pupilo nos treinamentos feitos no período que vai da etapa de Belo Horizonte da Copa do Mundo, no início de maio, até meados de junho. ''Ele é uma pessoa muito simples, que sabe ouvir e tem consciência de que o título mundial ganho no ano passado não entra com ele no tatame em Pequim'', comenta Shinorara. ''Ele, assim como os outros que ganharam o título no Rio, terá de ratificar sua condição de melhor a cada luta na Olimpíada'', adverte o técnico, que também aposta no meio-leve João Derly e o meio-médio Tiago Camilo.HISTÓRICO FAVORÁVELA categoria dos meio-pesados tem história no judô brasileiro. Desde Chiaki Ishii, bronze em Munique-1972, até Aurélio Miguel, ouro em Seul-1988 e bronze em Atlanta-1996, passando por Douglas Vieira, prata em Los Angeles-1984, que o País se acostumou com as grandes conquistas nesse limite de peso. ''Sei da minha responsabilidade e isso me motiva ainda mais para conquistar títulos.''DVDLuciano e todos os outros judocas da seleção nacional que vão para a China, receberam um DVD produzido pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) com as principais lutas recentes de seus futuros adversários. O meio-pesado já sabe quais são os oponentes que lhe exigirão maior atenção desde o início. E são muitos. ''Japoneses, israelenses, georgianos, cubanos e holandeses. Mas não vou bobear com ninguém.''

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