Luiz Adriano será julgado por gol polêmico

Uefa vai analisar terça-feira a atitude do atacante do Shakhtar, que desrespeitou o 'fair-play' para marcar

GONÇALO JUNIOR, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2012 | 02h08

O atacante Luiz Adriano, do Shakhtar Donetsk, tentou justificar a falta de fair-play na vitória de terça-feira, contra o Nordsjaelland, por 5 a 2, pela Copa dos Campeões, com o seu "instinto de atacante". Por meio de sua assessoria, ele afirmou: "Foi instinto. Eu vi a bola, driblei e marquei o gol. Não tive a intenção de prejudicar ninguém. Nem tenho histórico de expulsões na carreira. É difícil dizer o que é certo e o que é errado".

Em sua conta pessoal no Twitter, o atacante foi mais irônico sobre a repercussão negativa do episódio nas redes sociais. "Choro é livre", tuitou Luiz Adriano em uma mensagem que permaneceu na rede ontem, o dia todo.

Esse "instinto de atacante" será o alvo de um inquérito disciplinar da Uefa. Os dirigentes da entidade anunciaram que vão investigar uma "violação dos princípios de conduta", previsto no artigo 5.º das Regulações Disciplinares da Uefa. O parágrafo prevê punições para várias infrações, desde atrasos no início da partida até agressões e exibição de mensagens políticas. O caso será julgado terça-feira.

Luiz Adriano fez três gols na terça-feira. No primeiro, quando seu time perdia por 1 a 0, aos 26 minutos de jogo, ignorou o fair- play e empatou. No lance, Willian, ex-Corinthians, devolveu a bola para o adversário, já que o jogo havia sido paralisado para um atendimento médico. Luiz Adriano avançou, driblou o goleiro - que não esboçou reação - e chutou para o gol vazio.

Como o fair-play não está nas regras do futebol, o gol foi validado. Mesmo assim, todos os dinamarqueses reclamaram com o jogador e o árbitro. O público inconformado passou a vaiar não só Luiz Adriano, mas também o time do Shakhtar. Os apupos foram ensurdecedores quando Luiz Adriano foi substituído, aos 36 minutos do segundo tempo.

O episódio gerou constrangimentos. "Quero pedir desculpas pelo gol de Luiz Adriano que causou tanta controvérsia. Eu vi apenas quando ele pegou a bola e marcou", explicou o treinador Mircea Lucescu, que confessou ter pedido que seu time deixasse o rival marcar outro gol em seguida como compensação.

Mas o volante Stepanenko impediu que o pedido fosse atendido, ao evitar que os dinamarqueses fizessem um gol logo em seguida ao controverso lance. "Talvez eu tenha agido errado, como o Adriano deveria ter agido de outra forma, mas nós não nos entendemos." O empresário do jogador, Gilmar Veloz, não quis comentar. "Não vi o jogo, não passou na TV. Também não acompanhei nada da repercussão".

A imprensa condenou o gol. Os espanhóis Marca e As chamaram o gol de "antidesportivo"; o inglês Daily Mail usou o termo "controverso" e o argentino Olé falou que o Shakhtar "perdeu a honra". O capitão Dario Srna foi o único que defendeu o brasileiro. "O Adriano disse que não viu quem tinha passado a bola. Ele achava que o passe era de um jogador do Nordsjaelland. Depois do incidente, a gente quis deixá-los marcarem. Jogamos cinco minutos 'a meio gás', eles marcaram e então jogamos o nosso futebol. E fizemos quatro gols!"

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