Luizão e Chulapa divergem sobre Fred

Atacante de Felipão em 2002, Luizão acha que a vez agora é de Jô. Serginho, que jogou em 1982, ainda acredita

ROBSON MORELLI , ENVIADO ESPECIAL / TERESÓPOLIS, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2014 | 02h04

Felipão não abre mão de um centroavante. Pensa assim desde os tempos de Jardel no Grêmio, passando por todos os times e seleções que treinou.

Deu a Fred essa condição na Copa, mas ainda não obteve do atacante a resposta que desejava e acena com a possibilidade de repassar a bola para Jô, embora ainda tenha no titular, com quem Parreira conversa frequentemente nos treinamentos, muita confiança.

Para dois especialistas na posição, e que já defenderam a seleção em Copas, a cabeça de Fred tem sido seu maior problema. Luizão e Serginho Chulapa são taxativos ao afirmar ao Estado que atacante que se preze não suporta ficar duas partidas ou mais sem balançar as redes, mas divergem sobre a solução.

"Quando o centroavante não faz gols, sua cabeça pira, fica uma loucura. A pressão aumenta. Ele passa o jogo querendo resolver. Ocorre que a seleção não atua em função do Fred como joga o Fluminense. E aí o cara tem de se virar, sair da área, buscar bola, aparecer para fazer jogadas, dar opção. O Fred está muito paradão", diz o pentacampeão Luizão, que fez história no Corinthians e Palmeiras.

Ele compara Fred a Jô na partida contra o México, e diz que o atacante reserva foi mais perigoso. Luizão acredita que Felipão poderá dar chance ao jogador do Atlético-MG desde o começo. "Também vejo essa seleção muito individualista. Eles não jogam para o time. Por isso a bola não chega ao Fred. E se não chega, como vai fazer gol?" Luizão também já viveu jejuns e admite que isso o fazia perder o sono, imaginando que Fred esteja na mesma situação.

Seu desespero é tamanho que ele já prometeu virar a página diante de Camarões, último rival do Brasil na fase de grupo. O jogo será segunda-feira, em Brasília. Também na Copa das Confederações, Fred passou em branco no começo da disputa, mas, depois, desembestou a fazer gols e não parou mais, dando a volta por cima. Camarões é o mais fraco dos três adversários do Brasil, está eliminado porque perdeu para México e Croácia. Só dos croatas, de quem o Brasil ganhou, sofreu quatro gols. Isso anima Fred.

Quem também acha que o atacante da seleção vai dar a volta por cima é Serginho Chulapa, centroavante do Brasil na Copa de 1982, naquele timaço comandado por Telê Santana. "O Fred não pode se abater. Esse é o segredo. E ele tem de confiar no treinador e nos companheiros. O centroavante tem de acreditar sempre, e em todas a bolas. Ele é experiente e sabe disso. Estou com Felipão em mantê-lo no time e não acho necessário que ele mude sua forma de atuar. O Fred é finalizador", diz Chulapa, que também viveu seu inferno astral naquela Copa.

Serginho passou em branco nas duas primeiras partidas, contra União Soviética e Escócia. O atacante marcou somente no terceiro confronto, diante da Nova Zelândia. Depois, novamente contra a Argentina, na vitória por 3 a 1. "Por isso digo que, uma hora, o gol aparece; aí você ganha confiança. Sofri com isso na Copa de 1982. Sei que a situação de Fred é complicada, mas acredito nele. O Brasil acredita nele. Ele já sofreu um pênalti contra a Croácia."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.