Fábio Motta/AE
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Lula aposta em 'amizade' com rivais do Rio na eleição por 2016

Presidente acredita que a capital fluminense pode ter apoio até das concorrentes na luta para sediar os Jogos

Pedro Fonseca, Reuters

30 de abril de 2009 | 21h21

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que sua relação de amizade com os líderes dos países que têm cidades concorrendo com o Rio de Janeiro pelos Jogos Olímpicos de 2016 será um trunfo político a favor da cidade brasileira na eleição deste ano que decidirá a sede da Olimpíada.

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Após reunir-se com os inspetores do Comitê Olímpico Internacional (COI) que estão na cidade esta semana para preparar um relatório de avaliação, Lula disse que tem a vantagem de ser o presidente democraticamente eleito a mais tempo no cargo, e destacou afinidades dos adversários Chicago, Tóquio e Madri com o Brasil.

"Eu levo a vantagem de ser o presidente democrático mais antigo, e portanto tenho uma relação de amizade maior. Tenho a certeza que teremos o apoio dos outros países", afirmou o presidente em entrevista com seis representantes da mídia internacional no Rio.

"Essa é uma eleição muito boa, o que nós precisamos é passar a primeira fase. Se a gente passar da primeira fase, a chance do Brasil ganhar é muito grande", acrescentou Lula, que se declarou no passado "cabo-eleitoral" da candidatura carioca aos Jogos.

O presidente já anunciou que acompanhará a delegação brasileira na eleição do COI em Copenhague, no dia 2 de outubro. Na disputa passada, o então premiê-britânico Tony Blair foi visto como peça-fundamental na vitória de Londres (2012) na votação, que é realizada em três rodadas eliminatórias --uma cidade é eliminada de cada vez até se chegar à vencedora.

Numa entrevista coletiva posterior, o presidente acrescentou: "Qual a explicação que meu amigo (Barack) Obama tem de não votar no Brasil se não ganhar Chicago? Ele tem uma grande similaridade comigo", disse.

"Qual a razão que o Japão teria de não votar no Rio? A maior colônia japonesa fora do Japão é aqui. Se a Espanha não for para o segundo turno, a quantidade de espanhóis que temos aqui no Brasil... vou pedir que conversem com o rei da Espanha".

Segundo o presidente, tanto ele como o chanceler Celso Amorim têm levado a campanha Rio (2016) a todos os seus compromissos internacionais e já começaram a pedir votos.

"AUTO-AFIRMAÇÃO DE UM CONTINENTE"

Os 13 membros da equipe de avaliação do COI que chegaram ao Rio esta semana vão visitar na sexta-feira as instalações esportivas utilizadas pela cidade nos Jogos Pan-Americanos de 2007, além de fazerem um teste no metrô da cidade.

A equipe, que já passou por Chicago e Tóquio e vai encerrar as inspeções em Madri, está visitando as quatro concorrentes para preparar os relatórios que serão entregues ao COI e tornados públicos em setembro.

Os membros do COI, que não tem autorização para visitarem as cidades, se apoiam nesses relatórios e nos acordos políticos para votar.

O presidente voltou a afirmar a importância de o COI realizar pela primeira vez uma Olimpíada na América do Sul, ressaltando que seria "a auto-afirmação de um continente, um país e um povo", e destacou que boa parte das obras de infraestrutura necessárias já estarão prontas por conta do Programa de Aceleração do Crescimento e da realização da Copa do Mundo de futebol de 2014, que deve ter o Rio como seu palco principal.

"As coisas que nós tivermos que fazer para a Copa do Mundo nós vamos fazer, ou seja, entre os Jogos Pan-Americano de 2007 e a Copa de 2014, nós vamos ter 75 por cento das coisas preparadas para os Jogos Olímpicos", disse o presidente.

"E ainda teremos dois anos para fazer os detalhes finais e realizar uma Olimpíada que nenhum ser-humano do planeta vai pôr defeito."

Sobre o fato de deixar o governo em 2010, Lula disse que todos os seus adversários na eleição olímpica estão na mesma situação, e mostrou confiança na eleição de seu sucessor.

"Ninguém garante que o Obama será presidente dos EUA em 2016... Se a gente for analisar as condições políticas atuais, eu tenho mais chance de fazer a minha sucessão que outros governantes."

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