Luta pelas vagas finais foi bastante acirrada

Cuiabá e Campo Grande travaram disputa equilibrada

, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

A briga mais acirrada, pelo menos nos bastidores, para a escolha de uma das sedes do Mundial de 2014 foi travada pelas candidaturas de Cuiabá e Campo Grande. Peças publicitárias, pressão política e promessas de investimento maciço de recursos públicos e privados na infraestrutura das cidades marcaram essa disputa.Brasília largou bem na frente entre as candidatas do Centro-Oeste e Goiânia ficou à reboque do embate entre a favorita Cuiabá e Campo Grande. Estas duas capitais tentaram nos últimos meses mostrar a relação de cada uma com o Pantanal, convictas de que o apelo ecológico seria um trunfo para a definição da segunda cidade da região a abrigar jogos no Mundial.O excesso de gastos com propaganda e as incursões políticas de personalidades de peso das duas capitais na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) incomodaram a cúpula da entidade. Por meio de assessores, o presidente da CBF, Ricardo Terra Teixeira, tratou de alertar que eventuais caravanas dessas e de outras cidades-candidatas para as Ilhas Bahamas poderiam soar como um desrespeito à Fifa. Mas não deixou claro se isso resultaria em alguma represália aos visitantes.Já no Norte do País, Manaus e Belém ofuscaram Rio Branco na luta por uma ?vaga? na Copa do Mundo de 2014. A Amazônia estará presente com pompa no evento e isso é voz corrente na CBF há alguns anos. Nas últimas semanas, a tendência de que Manaus será contemplada passou a ser mais considerada por quem analisou detalhadamente o caderno de encargos da Fifa. A capital do Amazonas estaria mais apta a receber os jogos. A força de Belém e sua importância política e cultural na região foram fortes apelos. Havia ainda um fator esportivo também. O local é muito mais conhecido nacionalmente, no futebol, do que Manaus. Mas, apesar de todo o esforço, a terra de Paysandu, Remo e do Mangueirão acabou ficando fora. Aos poucos, ficou evidente que outra cidade das 17 candidatas sairia de uma disputa também bastante equilibrada, envolvendo Florianópolis e Natal. Por tradição no futebol, a capital catarinense venceria a luta no primeiro round. Tem clubes com melhor estrutura, uma federação com peso político importante na CBF, etc. Mas isso acabou não influenciando a decisão.De acordo com fontes ouvidas pelo Estado, com acesso à comissão da Fifa encarregada formalmente de listar as 12 cidades, Natal ganhou status de favorita como provável sede principalmente por causa de sua relativa proximidade com a Europa, em comparação a Florianópolis.Aspectos turísticos também norteariam o voto da Fifa pela presença de Natal na Copa do Mundo, embora Florianópolis possua seus atrativos. A promessa de novos voos diretos da capital do Rio Grande do Norte para centros da Europa foi bem acolhida pelos inspetores da Fifa e pode ter definido a exclusão de Florianópolis da relação final.Nessa decisão, outro ponto prejudicou os catarinenses. Seus vizinhos da Região Sul, os de Porto Alegre e Curitiba, já estão lançando fogos de artifício há meses para festejar a escolha das duas cidades.Seria difícil imaginar que um país de dimensões continentais pudesse agraciar todos os Estados de apenas uma região, numa desproporção que saltaria aos olhos.

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