Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

'Lutamos, mas não tem mais o que fazer agora', revela Tirone

Com medo, dirigente do Palmeiras admite seus erros, mas ainda assim avalia sua gestão como boa

Entrevista com

DANIEL BATISTA, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2012 | 02h04

SÃO PAULO - Arnaldo Tirone está cansado e vive com medo. Ao falar sobre sua administração, diz acreditar ter feito todo o possível para evitar que o Palmeiras chegasse aonde está - embora a opinião da maioria dos torcedores seja bem diferente. Em entrevista exclusiva ao Estado, o dirigente desabafou e admitiu que já pensou em desistir do cargo, mas mudou de ideia. Ele disse que demorou demais para perceber a acomodação da equipe após o título da Copa do Brasil e que paga por essa omissão.

Como você se sente com a situação do Palmeiras, quase na Série B, e o fato de seu nome ser o mais xingado pela torcida?

TIRONE - Cansado demais. Lutamos, fizemos de tudo, mas não tem mais o que fazer agora. Chega um momento em que (a situação) não depende mais da gente.

Não acha que o torcedor gostaria de ouvir outra coisa agora?

TIRONE - Mas vou falar o quê? A gente fez o que dava para fazer. O time é o mesmo que foi campeão da Copa do Brasil. É difícil explicar como as coisas mudaram desse jeito. Tivemos muito azar com problemas de lesões e não soubemos superar essas coisas.

Como está lidando com a pressão em cima de você?

TIRONE - Não estou com cabeça fria para analisar nada. Estou preocupado com os resultados. A gente joga bem, não consegue as vitórias e acabam xingando todo mundo. Admito que penso algumas vezes: 'Chega, quero ir embora'. Tudo o que está acontecendo desmotiva demais. Hoje, por exemplo, eu não estaria motivado para tentar a reeleição. Aprendi muito nesses dois anos com os erros e acertos que cometi na minha gestão.

Que erros você acredita que cometeu?

TIRONE - No Brasileiro, nós não nos preocupamos como deveríamos. A gente foi deixando para se recuperar mais para frente porque o campeonato era longo e agora estamos pagando caro. Erramos ao não mudar a postura antes. Focamos no Paulista e na Copa do Brasil, mas deixamos de lado o Brasileiro. Estamos pagando por isso. Mas, independentemente disso, acredito que o (Gilson) Kleina tem de ficar para o ano vem. Ele não tem culpa do que acontece.

Sua rotina mudou com as ameaças dos torcedores?

TIRONE - Eu não posso mais sair para lugar nenhum. No máximo, vou jantar em algum lugar que conheço. Fico estressado o dia inteiro e tento me distrair jantando com a minha família. Mas como rápido e volto para casa.

Em meio a tudo isso, vai tentar a reeleição?

TIRONE - Ainda tenho tempo para decidir o que fazer. Hoje a motivação é pequena. Vou pensar com calma e ver o que é bom para o Palmeiras.

Que legado você acha que deixará no Palmeiras?

TIRONE - O futuro presidente vai pegar um clube mais organizado e tranquilo. Apesar do momento chato, acabamos de ser campeões. Temos lojas do clube, uma academia de primeiro mundo, ganhamos um título, renegociamos as dívidas e temos salários em dia. E ainda vamos lucrar com alguns atletas. Barcos, João Denoni e Patrick Vieira renderão milhões de euros. Mas não quero vendê-los agora. Deixe isso claro, por favor. (Neste momento, seu filho interrompe a entrevista avisando que vai sair e pede para o pai tomar cuidado dentro de casa). Pode ir, filho, fique tranquilo... Meu filho está preocupado. É sempre assim. Tenho de ficar preocupado o tempo inteiro.

Por uma questão de segurança, não seria melhor desistir logo da reeleição?

TIRONE - Ainda não sei o que vou fazer. Com todo respeito aos demais concorrentes, eu aprendi muito nesses dois anos e sinto que posso fazer mais pelo Palmeiras. No final do ano farei uma análise e verei o que é melhor. Uma coisa eu garanto: não vou renunciar. Não sou fujão.

Você pensa em dar 'mala branca' para os adversários de Sport, Portuguesa e Bahia nas últimas rodadas?

TIRONE - Não tem como tirar dinheiro do clube para dar para outros. Se fosse para dar incentivo, seria dentro de nossas possibilidades e para o elenco. Mas vimos o Atlético de Goiás vencer o Santos com Neymar e tudo. Temos de acreditar. Pode acontecer de tudo no futebol. Sei que não vamos desistir jamais.

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