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Luto por vítimas de Munique 1972 durou 24 horas e dividiu atletas olímpicos

Atentado contra a delegação israelense marcou momento mais negro na história dos Jogos

VITOR MARQUES, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2012 | 01h09

SÃO PAULO - O clima de tensão que envolveu a Vila Olímpica, um dia depois do atentado terrorista de 1972, era comparado ao de Hanói, capital vietnamita, ou a Belfast, capital da Irlanda do Norte – duas cidades associadas à época a atos extremos de violência. Foram 24 horas de cerco policial, antes de os portões voltarem a ser reabertos sob rígidos esquemas de segurança. Só imprensa e pessoas credenciadas tinham acesso ao locais de prova. Antes era mais fácil a entrada de pessoas não-credenciadas.

O relato do ambiente sombrio que tomou conta na Vila Olímpica foi tema das páginas do Estadão do dia 7 de setembro de 1972 – o atentado aconteceu dia 5, às 4h05, quando oito palestinos que se identificaram como o Comando Setembro Negro entraram facilmente na Vila usando máscaras e carregando metralhadoras e granadas. Vários atletas, segundo a reportagem ‘Angústia persiste na Vila Olímpica’, caminhavam, desolados, pelo alojamento após a ação terrorista. Eles estavam perplexos e confusos, sem ânimo para continuar a competição. Os Jogos de Munique, apesar da tragédia, não pararam.

O Comitê Olímpico Internacional ordenou, poucas horas depois do assassinato dos atletas de Israel, o reinício dos jogos. “Como continuar, depois de um episódio tão sangrento?”, disse ao Estadão Neil Jackson, treinador da equipe de pista dos Estados Unidos. O luto durou apenas 24 horas. Então, veio um comunicado oficial: “Para o bem da juventude, a ação de um punhado de terroristas, sem qualquer respeito à dignidade humana, não conseguirá destruir o ideal olímpico.”

Os atletas estavam divididos quanto ao reinício dos Jogos. Além de Israel, deixaram a Olimpíada imediatamente após os ataques as delegações do Egito, Marrocos e Filipinas. Foi realizada uma cerimônia fúnebre no principal Estádio da Vila Olímpica. Cerca de  80 mil atletas, treinadores e chefes de delegação homenagearam às vítimas. Pouco depois, Romênia e Hungria entraram em quadra para disputar uma partida de handebol. Isso ocorreu pouco depois do meio-dia do dia 6 de setembro de 1972.

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