Luxemburgo em novo dia de fúria. ''''Não quero ser cobaia''''

Técnico volta a reclamar de arbitragens. Pode ser punido de 30 a 180 dias

Juliano Costa e Robson Morelli, O Estadao de S.Paulo

26 de fevereiro de 2008 | 00h00

Vanderlei Luxemburgo reafirmou ontem as críticas ao coronel Marcos Marinho, chefe da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol. E deu declarações ainda mais pesadas do que aquelas após o empate com o Rio Preto, sábado, no Palestra Itália. O técnico palmeirense classificou o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) como "ditatorial", reclamou da falta de liberdade de expressão no futebol, apontou complô contra Valdivia e afirmou que, ao reclamar, não quer desviar o foco das atuações ruins da equipe. "Meu time não está jogando nada e eu assumo a responsabilidade! Não vou usar esse assunto para encobrir a realidade", disse. "O fato é que há uma série de coisas relativas à arbitragem que precisa ser discutida."E deixou claro que não teme ser punido. "Estou dando a minha cara pra bater." Ele acha que os técnicos dos times grandes estão marcados pela arbitragem - essa foi sua explicação para a frase "Minha expulsão já estava armada na Federação", relatada na súmula do árbitro Paulo Roberto Ferreira. "Não podem me expulsar, o Muricy (Ramalho, do São Paulo) ou o Mano Menezes (do Corinthians) só para dar exemplo para os outros. Eu não posso ser tratado como cobaia! Não sou cobaia! Quero ser punido pelos meus erros, e não para dar exemplo para os outros", disparou. "Estou aqui para trabalhar como técnico de futebol, e não para ser uma marionete."Luxemburgo classificou como "absurdo" o fato de não poder criticar a arbitragem. "Se eu não gosto do governo do Lula ou do José Serra, eu posso falar numa boa, sem ser punido."Pelo artigo 188 do CBJD, pode pegar pena, na segunda-feira, entre 30 e 180 dias por manifestar-se contra a arbitragem. "Esse código é ditatorial. Ele impede a liberdade de expressão."Disse que Marinho está tendo na comissão de arbitragem "atitude de comandante (da Polícia Militar)". E pôs em xeque a qualidade do trabalho. "Tenho certeza de que a intenção dele é a de melhorar o nível da arbitragem, mas acho que não está conseguindo. Talvez, uma pessoa do meio fosse melhor."A bronca começou há três semanas, quando Marinho disse que os árbitros já sabiam que Valdivia simulava faltas. "Depois daquele dia, tive a certeza de que os árbitros entrariam prevenidos e que eu teria dificuldade." Marinho classificou de "exagero e pegação no pé" as reclamações. "É uma intolerância, mas não vamos entrar nessa. Sabemos que há uma série de técnicos que querem colocar derrotas e empates nas costas dos árbitros. Não é justo."

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