Luzes no paddock

Já estou vivendo, de novo, a Fórmula-1. Isso se repete pelo 37º ano e, graças a Deus, não perdi nada do meu entusiasmo pelo barulho do motor, o cheiro da gasolina, a correria dos boxes, a competição no mais alto nível. Nesta madrugada, sobrevoando lugares pouco comuns mesmo para quem viaja bastante, como Luxor, Jeddah, Riyadh, o Canal de Suez, passando sobre o Bahrein para pousar em Dubai e voltar ao Bahrein, pensei em como a história da F-1 mudou nos últimos anos. Quando eu comecei, esse mundo vivia em função dos tradicionais GP"s de Silverstone, Monza, Spa, Nurburgring, Mônaco. De vez em quando a F-1 saía da Europa para correr em Kyalami (África do Sul), Watkins Glenn (Estados Unidos) e Mosport Park (Canadá). A Argentina, por causa de Juan Manuel Fangio, e o Brasil, por causa de Emerson Fittipaldi, em épocas bem diferentes, conquistaram um pit stop na América do Sul. De uns tempos para cá, assim como a mudança de direção do vento que é tão importante na performance dos carros, a direção do dinheiro mudou para o Oriente. E lá veio a F-1 atrás.

REGINALDO LEME, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

Já no circuito de Sakhir, ao ver a noite chegar e as luzes de enfeite brancas e vermelhas ? cores da bandeira barenita ? darem brilho às palmeiras que decoram o imenso e riquíssimo paddock do autódromo, a questão que ocorre é "até quando a Fórmula 1 continuará a frequentar países que não proporcionam tudo isso ?" Só a tradição ainda mantém as corridas europeias e mesmo a do Brasil. Ainda bem que F-1 não é apenas luxo e beleza. Tem a competição pura e simples.

Como é bom rever alguns amigos exclusivos da F-1 quatro meses e meio depois da última corrida do ano passado. Bons amigos conquistados nestes anos todos, jornalistas na maioria, mas também muita gente de dentro das equipes. O austríaco Josef Loeberer, por exemplo. É um cara que se dedica à preparação física e alimentar de esportistas. Foi um profissional importante na carreira de Ayrton Senna. Aqui no Bahrein ele se apresentou a Bruno Senna sem ter certeza de que o sobrinho de Ayrton se lembraria dele. Mas ouviu o seguinte comentário: "Eu é que devo me apresentar para muita gente da F-1 que não me conhece. Mas de você eu me lembro muito bem." Josef se emocionou. Giorgio Piola é um italiano, desenhista que se tornou jornalista, e neste ano vai fazer alguns trabalhos para nós, na Globo, mostrando detalhes técnicos dos carros. Eu farei a apresentação dele no Esporte Espetacular e vocês vão se encantar com o conhecimento e a forma como ele explica um carro tecnicamente.

A expectativa de uma temporada com várias equipes de ponta me anima muito. O fim do reabastecimento, carros com tanques maiores, pilotos aprendendo a aproveitar circunstâncias de pesos diferentes em momentos diferentes das corridas, pit stops só para troca de pneus feitos num tempo abaixo de 4 segundos e, claro, os duelos internos que prometem muito na Ferrari (Massa x Alonso), McLaren (Hamilton x Button) e Red Bull (Vettel x Webber), a volta de Schumacher, Rubinho na Williams e a estreia de Lucas di Grassi e Bruno Senna. Esses são dois bons garotos e ótimos pilotos jogando a última cartada de uma carreira. Até chegar aqui, eles já fizeram muito. Mas suas equipes também são estreantes e, apesar disso, eles terão de mostrar que merecem estar na F-1, futuramente em equipes melhores. Se não conseguirem, tudo o que fizeram na difícil carreira será esquecido. E tem a novidade da pontuação, que dá 25 pontos para o vencedor e 18 para o 2º colocado tentando forçar o piloto a briga por vitórias. O comentário de ontem no paddock era de que, como por esse novo sistema Alain Prost teria 6 títulos em vez de 4, e sabendo como esse francesinho é encrenqueiro quando acha que tem direitos, seria até capaz de ele iniciar uma ação junto à FIA para reaver os dois novos títulos de campeão.

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