Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

''Macacão de F-1'' chega ao Morumbi

Após ironizar rivais que utilizaram o recurso, clube fecha patrocínios que elevarão a sete as logomarcas na camisa

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

O São Paulo apresentou ontem o quinto patrocínio no uniforme que vai vestir a partir de domingo, quando estreia no Campeonato Brasileiro contra o Fluminense, no Rio. Dois anos após ironizar a manobra do rival Corinthians para lucrar com Ronaldo, o clube do Morumbi se vê obrigado a abrir mão do orgulho para também explorar a vinda de seu camisa 9, Luis Fabiano.

O acordo com a distribuidora de combustíveis ALE é o quinto de patrocínio fixo e, segundo a diretoria, permite ao São Paulo atingir a meta de R$ 40 milhões de faturamento por temporada somente com patrocinadores. Por R$ 2,2 mi até o fim do ano, a ALE estampará sua marca na camisa, na altura do ombro, e no calção, acima do número.

Além dos cinco patrocinadores fixos e da fornecedora de material esportivo, o Tricolor fechou acordo com a Visa para o primeiro jogo de Luis Fabiano - a empresa de cartões fez o mesmo nas estreias de Ronaldo, Robinho, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo.

Mesmo com a perspectiva de ter o uniforme lotado, a direção do São Paulo diz que não vê excesso. "Não ficou nada agressivo. Acrescentar patrocínio é aceitável quando não polui o uniforme", disse Adalberto Baptista, diretor de marketing.

Alfinetada. No início de 2009, em meio à euforia provocada por Ronaldo, o Corinthians corria atrás de patrocínio para viabilizar o alto custo para manter o atacante. Em sete meses, o clube do Parque São Jorge fechou um total de R$ 32 milhões com quatro patrocinadores - três deles na camisa da equipe.

Na época, o vice-presidente de marketing do São Paulo, Júlio Casares, não perdeu a chance de cutucar o rival. "Por mais que você necessite de receita, não pode fazer de seu manto sagrado um macacão de piloto de Fórmula 1 ou um outdoor", disse o dirigente. "Não quero falar de outra instituição. Mas o São Paulo teve antes de outros clubes propostas para ostentar marcas embaixo dos braços e mais lugares."

Para evitar polêmica, a diretoria do Tricolor agora nega que tenha se referido especificamente ao Corinthians. "Em nenhum momento aquela foi uma manifestação oficial do São Paulo", disse Adalberto Baptista, que vai deixar o marketing para virar diretor de futebol do clube.

A alteração é decorrente de mudança mais ampla proposta pelo presidente Juvenal Juvêncio, que alçou o ex-diretor de futebol João Paulo de Jesus Lopes à vice-presidência de futebol e Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, à vice-presidência geral.

Enfim, respaldo. Após quase uma semana de silêncio, a diretoria do São Paulo foi a público ontem para, enfim, manifestar seu apoio à permanência de Paulo César Carpegiani no cargo. João Paulo de Jesus Lopes garantiu que não houve a decisão da diretoria de trocar o treinador. "Houve uma reunião na sexta, com grande discussão, mas não houve consenso para demiti-lo", disse o dirigente. "Continuamos avaliando o trabalho dele como um todo e nos parece muito bom. Estabilidade é profícua, foi assim que conseguimos os bons resultados nos últimos anos."

João Paulo evitou falar sobre os comentários de Juvenal e Leco sobre a provável mudança do técnico, após a eliminação diante do Avaí. "Não estou desmentindo, mas a posição pública do clube sempre foi a de que ele (Carpegiani) iria permanecer. Para nós, é um assunto encerrado."

CAMISA E BOLSO CHEIOS

40

milhões de reais deve lucrar o São Paulo no ano com acordos de patrocínio em seu uniforme

28

de maio é a data provável da estreia de Luis Fabiano, jogo em que o time terá patrocínio extra

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