Machida e Minotauro perdem no Canadá

Primeiro foi finalizado pelo campeão dos meio-pesados Jon Jones, enquanto segundo teve braço quebrado por Mir

O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2011 | 03h06

Em uma edição que não foi muito boa para os lutadores brasileiros - só Rogério Minotouro venceu -, o UFC 140 ficará marcado pela consagração do norte-americano Jon Jones, que teve um teste difícil contra Lyoto Machida, mas conseguiu manter o cinturão dos meio-pesados ao finalizar o oponente na principal luta da noite no Canadá Air Center, em Toronto. O próprio Dana White, presidente do UFC, se rendeu ao talento do jovem de 24 anos. "Não sei quem pode vencê-lo. Se ele fizer as coisas certas, pode se tornar o maior de todos os tempos", disse.

Jones sabia que teria pela frente um rival duro, que já foi detentor do mesmo cinturão que ele possui. E no primeiro round, Lyoto mostrou que não estava lá para brincadeira. Esquivando-se dos golpes do americano, que é oito centímetros mais alto e tem uma envergadura muito maior, o brasileiro surpreendeu e acertou fortes golpes. Jones sofreu um pouco e sentiu que deveria mudar a estratégia para vencer a luta no próximo assalto.

Foi isso que ele fez no segundo round. Passou a pressionar mais o brasileiro e conseguiu jogá-lo no chão. Por cima, Jones acertou uma cotovelada na testa de Lyoto e provocou um corte fundo. Depois disso o brasileiro perdeu o ritmo e, com uma guilhotina invertida, de pé, caiu desmaiado, dando a vitória para o americano. "Quando recebi o corte no rosto, minha vista ficou embaçada e a luta acabou ali mesmo. Eu gostaria de uma outra oportunidade no futuro", afirmou Lyoto.

A euforia em torno de Jon Jones ficou maior após esta vitória, ainda mais por ter literalmente "apagado" um ex-campeão mundial. O lutador teve um ano incrível, quando conquistou o cinturão em cima do brasileiro Maurício Shogun, por nocaute, em março. Meses depois, defendeu o título contra Quinton Rampage Jackson e venceu por finalização. Agora foi a vez de deixar Lyoto para trás. Com isso, ele se tornou o primeiro meio-pesado desde Chuck Liddell a defender o cinturão da categoria duas vezes consecutivas.

Além disso, Jones foi eleito o lutador do ano pelo World MMA Awards, considerado o Oscar da modalidade. Também é considerado o lutador mais jovem a conquistar um cinturão do UFC. "Jon Jones teve um ano incrível, e continua a provar o quão talentoso ele é. Ele é jovem e ainda tem muito a aprender no esporte, muito além de lutar, mas o potencial é incrível", elogiou Dana White, que pensa, inclusive, em mudar o lutador para uma categoria mais pesada no UFC.

Irmãos no octógono. Rodrigo Minotauro encarou Frank Mir com um sabor de vingança - o primeiro nocaute que sofreu na carreira foi contra o lutador dos Estados Unidos. Mas no UFC 140, mesmo tendo acertado bons socos que quase nocautearam o adversário, o brasileiro vacilou e acabou recebendo uma chave de braço, tendo de desistir da luta. "Fui o primeiro a nocautear Minotauro, agora sou o primeiro a finalizá-lo", festejou Mir. Minotauro ainda levou a pior e acabou tendo uma fratura no úmero. Na volta de Toronto, pegou carona com Dana White em seu jatinho particular para ir se tratar em Los Angeles.

Já seu irmão gêmeo Minotouro conquistou a única vitória brasileira no UFC 140. Ele nocauteou Tito Ortiz e mostrou que se preparou muito bem para o combate. "Isso é um sonho virando realidade. Tito Ortiz é uma lenda do esporte, quero agradecer por ter lutado contra ele. Como foi muito agressivo em suas duas últimas lutas, então vim preparado. Estou na melhor forma da minha vida", disse, dedicando a vitória para a filha Valentina.

Aos 36 anos, Ortiz sonha com mais uma luta no UFC, para poder pendurar as luvas em grande estilo. "Quero mais uma luta para sair com uma vitória. Perdi para um verdadeiro campeão."

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