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Mãe de Escadinha agradece a Bernardinho

"Obrigada, Bernardinho. Foi você quem levou meu filho para a Seleção." O agradecimento, murmurado baixinho, foi de dona Didi, mãe do líbero Sérgio Escadinha, após a conquista do bicampeonato olímpico, hoje. Ela e seu Domingos, pai do atleta, receberam mais de 40 amigos e vizinhos hoje, em Pirituba, o bairro onde Escadinha cresceu e mora até hoje. Enquanto via a comemoração da Seleção, dona Didi lembrou a luta do filho para se tornar jogador de vôlei. E chorou. "Lembra daquele dia, meu filho, quando você saiu com a mochila pesada nas costas, tênis velho, e andava mais de dez quilômetros para treinar em Guarulhos? Parabéns, meu filho, você é um vencedor, um batalhador. Você merece", falava para a televisão. "Tinha dia que nem tinha moeda para pegar ônibus. Mas você não desistiu, não é, meu filho?" Os primeiros torcedores começaram a chegar às 8h. "Estou tranqüila, estou tranqüila", dizia dona Didi. Quando o jogo acabou, ela fez questão de mandar um beijo para os pais, que moram em Viema, Mato Grosso, para os parentes que moram em Minas Gerais, e para a cidade de Diamante do Norte, no Paraná, onde Escadinha nasceu. "Eu e o Domingos viemos do Paraná quando o Sérgio tinha só nove meses. Atravessamos o rio Paraná e quase morremos afogados. Hoje (ontem), quase morremos afogados de tanta emoção", brincou. "Só nós sabemos o que o Sérgio passou, e ele nunca desistiu. A gente sempre foi pobre, mas nunca reclamou da vida - nem nossos três filhos. Graças a Deus, não passamos fome. Isso eu posso dizer." A comemoração duraria o dia todo - e com muita tubaína, como o próprio Escadinha disse na entrevista após o jogo. "Também vai ter pirão e frango ao molho, que ele gosta muito. Vamos esperar ele chegar. Estou ansiosa. Vou ao aeroporto de qualquer jeito", adiantou a mãe do jogador, que chamou todos os vizinhos para a festa. Seu Domingos, que trabalha de ajudante geral no Palmeiras, cuidando da piscina do clube, sempre acreditou que o filho tinha potencial para o esporte: "Mas para falar a verdade, eu achava que ele podia ser jogador de futebol. Ele sempre jogou bem como atacante. Era um pouco parecido com o Ronaldo Fenômeno. Mas aí disseram que ele levava jeito para vôlei, e eu disse: ?Então vai, filho.? E ele acabou virando jogador de defesa... e de vôlei!" Os irmãos, Suesi e Silvanei, estavam mais nervosos do que os pais antes do jogo começar. Aliviados, eram só elogios para Escadinha. "Nunca vi um time igual a esse. O Sérgio sempre foi esforçado em tudo o que fez, mesmo quando era empacotador. Ele sempre foi dedicado e por isso merece essa medalha", comemorou Suesi. Silvanei emendou: "Lembro que quando a gente brincava na rua ele sempre queria ser o melhor. Em todos os esportes eu sempre ?levava pau? dele. Mas o que é mais importante é que ele nunca mudou. Ele sempre valorizou Pirituba, nunca tratou ninguém mal." Renata, mulher de Escadinha, e os filhos Marlon e Matheus, viram o jogo sozinhos. "É que ela fica nervosa e viu todos os jogos sozinha. Mas ela vem para a festa", justificou dona Didi. Escadinha deixou o Banespa na temporada passada e segue para o Piacenza, na Itália. "Já estou morrendo de saudades, e olha que ele nem foi ainda", lamenta a mãe do líbero.

Agencia Estado,

29 Agosto 2004 | 17h25

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