Mãe de Torben batiza veleiro Brasil 1

Para quem precisa de talento e competência, além de sorte para entrar em uma regata de volta ao mundo competindo com seis tripulações de altíssimo nível, nada mais apropriado do que o batisto do veleiro por alguém que coleciona sete medalhas olímpicas, do total de seis conquistadas até hoje pelo País: a madrinha do veleiro "Brasil 1", que larga em 5 de novembro para aportar em junho de 2006 na Suécia, foi Ingrid Schmidt Grael, mãe de Torben, o comandante do barco e o velejador que tem mais medalhas olímpicas - cinco - na história da vela. Ingrid quebrou a garrafa de champanhe no casco do primeiro veleiro brasileiro a participar da tradicional Volvo Ocean Race na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, projeto de US$ 15,8 milhões, desejando a boa proteção de Nossa Senhora dos Navegantes. A tripulação, com cinco brasileiros, dois neo-zelandeses, uma australiana (a única mulher das sete tripulações), um espanhol e um norueguês, está concentrada no Rio de Janeiro "em regime militar", como brinca Marcelo Ferreira, proeira nos dois ouros olímpicos de Torben na classe Star. Academia pela manhã, almoços conjuntos para que todos se conheçam melhor para a convivência forçada em oito meses no mar - a largada é de Vigo, na Espanha, com paradas de alguns dias a cada "perna", ou etapa, na Cidade do Cabo (África do Sul), Melbourne (Austrália), Wellington (Nova Zelândia), Rio de Janeiro, Baltimore, Annapolis e Nova York (Estados Unidos), Portsmouth (Inglaterra), Roterdã (Holanda) e chegada em Gotemburgo (Suécia). Além do entrosamento dos tripulantes - que ao longo da regata trabalharão divididos em três turnos -, aos poucos vão sendo feitos todos os ajustes no veleiro. Em julho, os treinamentos incluirão passagem por Ilhabela. A ida para a Europa será no máximo no início de agosto, para a base em Cascais, Portugal - onde, ainda segundo Marcelo Ferreira, será possível treinar com ventos bem fortes, pela época do ano. A expectativa é imensa, como de André "Bochecha" Fonseca, que sabe da jornada cheia de perigos - não apenas pelos icebergs, frio e tempestados nos Mares do Sul (a passagem mais longa, da Nova Zelândia ao Rio de Janeiro) -, mas até pelas "novidades". É preciso economizar o máximo de peso para que possa ser deslocado para o bulbo da quilha, o que dá mais estabilidade e, portanto, mais velocidade, ao barco. Assim, 100 gramas de uma peça fazem diferença, como também artigos pessoais. Não se leva "nada" e Bochecha até leu sobre uma tripulação que não levará nem sabonetes. Torben Grael, o comandante, acredita que o projeto aponte mais para um barco (são 22 metros de comprimento) "conservador", que o projetista Bruce Farr tenha procurado um bom desempenho nas mais variadas condições, sem privilegiar uma ou outra característica do percurso, de 57 mil quilômetros. Para ele, o sonho da volta ao mundo incluiu a construção do veleiro de ponta no Brasil - no estaleiro de Marco Landi, em Indaiatuba. De todos os discursos de ministros (o governo federal deverá arcar com quase 20% dos US$ 15,8 milhões, entre a Indústria e Comércio, o Esporte e o Turismo, para as promoções do Brasil a cada parada), políticos e patrocinadores, ganhou destaque o do protetor solar: "Todos sabem o quanto o frio, o vento e o sol fazem mal para a pele, portanto, quando vocês chegarem e posarem para as fotos, serão aqueles com a pele mais bonita. O primeiro vocês sabem, que é velejar; o segundo... é só seguir as instruções da embalagem." Foi o que ganhou mais aplausos.

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