Magrão luta para entrar em campo e ?retribuir o carinho?

Volante passou últimos sete dias tratando das dores musculares na coxa

Fábio Hecico, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

29 de junho de 2009 | 00h00

O relógio é o grande vilão de Magrão. O volante luta, desesperadamente, contra uma lesão muscular para estar em campo na quarta-feira. E para ele o tempo voa. Defender o Internacional na decisão da Copa do Brasil contra o Corinthians e, acima de tudo, levar o time à Libertadores, virou obsessão para retribuir "o maior carinho recebido de uma torcida em minha carreira".Nascido em São Paulo, com números e apresentações respeitados pelo São Caetano, Palmeiras e Corinthians, Magrão encontrou no Sul, onde joga há dois anos, um reconhecimento jamais visto para um jogador de marcação. "Tudo é diferente aqui, eles (torcedores) são muito apaixonados, o respeito e o tratamento com a gente é impressionante", afirma. Guiñazu, o outro volante, também é ovacionado nos jogos. Magrão não consegue andar com sossego pelas ruas de Porto Alegre. Não reclama. Agradece as palavras de incentivo com fotos, autógrafos e sorrisos. E uma promessa: "Jogo a decisão até com dor." Magrão não participou do duelo de quinta-feira pela decisão da Recopa. O Inter perdeu por 1 a 0 para a LDU, em casa. Faz questão de frisar, contudo, que não está sendo poupado por causa de dores, como foi noticiado. "Tenho uma lesão muscular no posterior da coxa direita. A dor incomoda muito e vem desde o jogo diante do Corinthians. Lá consegui ir até o fim, mas...", lamenta. Seus últimos sete dias foram na sala de fisioterapia. "Espero matar a saudade de colocar as chuteiras e treinar com meus companheiros na segunda-feira (hoje)."Ele sabe que o técnico Tite precisa muito de sua presença. Sandro, também jogador de contenção, está com o mesmo problema, não jogará quarta e a marcação ficaria vulnerável sem ambos. "Não posso perder essa decisão por nada", diz, garantindo não ter mágoa do Corinthians, onde jogou até maio de 2007 e viu o clube não ter dinheiro para comprá-lo em definitivo. "Mas me pagaram certinho e também tive muito respeito dos torcedores." A vontade é em buscar o bicampeonato da América (a equipe ganhou em 2006), sonho que não se concretizou agora, no ano do centenário do Internacional.E a lição para aqueles torcedores que estão receosos quanto a um possível triunfo na decisão, ele tem exemplos de viradas guardados com carinho na memória. "Perdemos na decisão do Gaúcho de 2008 por 1 a 0 para o Juventude, em Caxias, e fizemos oito no Beira-Rio. Sabemos que esse resultado não se repetirá, mas são várias as nossas viradas", enfatiza.Ele manda outro exemplo, este sim, próprio para a Copa do Brasil. "No ano passado, levamos 2 a 0 do Paraná e, aqui, sofremos um gol com cinco minutos. Todos pensavam que estávamos eliminados e fizemos cinco gols." Este é Magrão, um guerreiro dentro e fora dos campos, que jamais baixa a guarda e nunca dá a batalha como perdida. Não por acaso, conquistou os gaúchos.

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