''Maiô não pode tirar brilho da conquista do atleta''

Para o técnico Fernando Vanzella, marcas com novo traje são fruto da preparação

Heleni Felippe, O Estadao de S.Paulo

29 de março de 2008 | 00h00

O espanto diante dos 18 recordes mundiais batidos em seis semanas na natação (17 com o novo maiô) provocou enorme debate entre atletas, técnicos, dirigentes e especialistas sobre o equipamento desenvolvido com tecnologia da Nasa. A maioria acha que o resultado depende de vários fatores, em que maiô é um detalhe. O LZR Racer, da Speedo, já foi testado por Thiago Pereira, dono de oito medalhas no Pan do Rio. O especialista no estilo medley usou um modelo leg (calça), no GP de Missouri (EUA), em fevereiro, e no Sul-Americano de São Paulo, neste mês. Aprovou, mas acha precipitado avaliar a influência do traje na performance.Na primeira vez, Thiago teve problema com a calça - entrou água -, por causa do ajuste na cintura. Na segunda, o maiô ajudou. Foi nas eliminatórias dos 400 m medley, no Sul-Americano, quando, apesar de ?pesado? (em fase de treinos intensos), repetiu o índice olímpico."Ele se sentiu flutuando com a calça, que parece de tecido emborrachado. Fez 4min17, tempo significativo para sua condição física. Mas é cedo para tirarmos uma conclusão, é preciso esperar", observa o técnico Fernando Vanzella. "Pelo menos o efeito de marketing foi muito bom."Antes dos Jogos de Atenas, em 2004, foram quebrados oito recordes no total. Agora, são 18, 15 em provas olímpicas, e ainda faltam mais de 80 competições em todo o mundo antes da Olimpíada. As fortíssimas seletivas dos Estados Unidos, por exemplo, serão apenas em julho.Nem os recordes em provas de velocidade - o australiano Eamon Sullivan baixou três vezes a marca dos 50 m livre, a última com 21s28 - podem ser atribuídos apenas à tecnologia. "O maiô não pode tirar o brilho da conquista do atleta. Será que o Popov, que era um talento, faria 47 segundos com o maiô? Um novato conseguiria boa marca? Ou o maiô faz diferença quando usado por nadador talentoso?", pergunta Vanzella.O ex-nadador Gustavo Borges, que usou o fast skin (pele de tubarão) na Olimpíada de Sydney, em 2000, é radical: "O maiô não nada sozinho. Seria como pôr o traje e dizer: ?vai lá, bate o recorde mundial?". O velocista César Cielo usou o maiô no GP de Missouri, mas não sentiu diferença. "Os recordes devem ser atribuídos aos atletas. Como eu não nadei a prova em 100%, não senti diferença. Mas vou usar."A nadadora Fabíola Molina, que está em Ispra, no Lago Maggiori (ITA), treinando para o Mundial de Piscina Curta de Manchester (ING), de 9 a 13 de abril, ainda não testou o maiô. "Pelo que me contaram, lembra roupa de mergulhador", diz Fabíola. Tem uma preocupação: a de que todos os atletas tenham acesso ao maiô, que custa US$ 800. "Uso um macacão que não usava há oito anos, em Sydney. Ajuda, mas se alguns usarem e outros não... não seria justo." A Confederação de Natação (CBDA) informou que os brasileiros que alcançarem índice olímpico (até agora são 11) para Pequim terão o maiô.Ontem, novo recorde mundial foi quebrado: o dos 50 metros livre, pela australiana Libby Trickett, com 23s97.

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