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Antero Greco
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Maiores e melhores?

Caro amigo, antes de mais nada feliz 2015, com paz e saúde. E tomara que a água não acabe - cruz-credo, pé de pato, mangalô três vezes! Depois de 30 dias e uns quebrados de ócio, retomo o papo sobre esporte, vida e adjacências. Logo de cara, pra não ficar com lenga-lenga, lhe pergunto: você acredita em melhores do mundo? Leva a sério apurações e premiações de destaques nisso e naquilo? Eu não.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2015 | 02h03

Tais rituais são bacanas, tradicionais, existem em muitas atividades, estimulam o ego de quem chega em primeiro lugar, dão impulso para carreira e empresas. Porém são pra lá de questionáveis. Diversos fatores, sobretudo subjetivos, se juntam para desembocar no veredicto. Muitas vezes, vota-se no primeiro nome que vem à mente, por preguiça, condicionamento e para se livrar da incumbência. Fora as campanhas de autopromoção, de busca deslavada por votos.

Pra concentrar o foco da discussão no futebol, veja-se a "Bola de Ouro", que a Fifa encampou da revista francesa France Football e juntou ao prêmio dela, numa unificação de troféus. Cristiano Ronaldo levou a peça para casa pela terceira vez, a segunda consecutiva, e prometeu alcançar Lionel Messi, que tem quatro enfileiradas, além dos vices do ano passado e deste.

A cerimônia foi chique, contou com a presença de astros da bola, treinadores, artistas e cartolas. Até José Maria Marin foi lá, fazer o que exatamente não tenho a mínima ideia. Ah, verdade, é presidente da Confederação Brasileira de Futebol - portanto, integrante da enorme e robusta família Fifa.

O atacante português é craque, da melhor cepa. Bate um bolão, joga num time de se tirar o chapéu, faz gols de toda maneira. Com o Real Madrid conquistou um monte de títulos. O senão fica para a seleção do país dele, de segunda linha. No mais, só alegria e contratos cada vez mais milionários.

Lógico ser lembrado num momento desses. Mas não é só pelo dom natural que se destaca. Pesam pra burro a exposição da marca Real Madrid pelo mundo, a divulgação do Campeonato Espanhol, a legião de seguidores, a força dos patrocinadores do clube e dele, o eurocentrismo no futebol. Por muito tempo ainda o "mundo" vai limitar-se à Europa e, mais especificamente, a quem jogar no Real, no Barcelona, no Milan, na Juventus, no Manchester United. Talvez no Bayern. O resto, incluindo a gente por aqui, é periferia.

Vá lá que andamos mais por baixo do que o tatuzão do metrô. Hoje em dia não tem um fora de série dando sopa nestas bandas. Porém, em 1997 Edmundo arrasou, ganhou um Brasileiro para o Vasco, estraçalhou. Como jogava longe dos holofotes não foi sequer lembrado e as honrarias couberam a Ronaldo Fenômeno. Ambos viviam ótima fase, mas um jogava na Europa...

Messi é extraordinário, sou fã de carteirinha dele, assim como admiro Cristiano Ronaldo. Repare, porém, que há quase uma década os dois são figurinhas carimbadas dentre os finalistas. Méritos pessoais à parte, mau sinal. Por indicar que vivemos época de escassez de gênios dos gramados. E angustia. Tanta grana e tão poucos astros da primeira linha. Os prêmios de melhores os encaro como marketing e confraternização.

Vaivém. O Luiz Zanin, com a perspicácia de sempre, foi ao alvo, na crônica de ontem, ao constatar a decadência absurda do Santos e o ressurgimento de Palmeiras atrevido em contratações. Espanta a queda brusca de um e a ascensão do outro.

Um detalhe me chama a atenção no mercado de verão: o movimento de brasileiros que se mandaram para a região da antiga União Soviética e estão de regresso. Dudu é simbólico: disputado a tapa por Corinthians e São Paulo - e no fim transferido para o Palestra -, era peso morto no Dínamo de Kiev. O Shakhtar, que tem uma legião verde amarela, tempos atrás se desfez de Jadson, como já havia aberto mão de outros.

Não impressiona como esse pessoal do Leste torra dinheiro? E como vem pescar no Brasil? Sei lá...

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