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Antero Greco
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Romário tem usado a tribuna da Câmara, em Brasília, para bulir com personagens importantes do esporte. Há muito o alvo preferido do deputado tem sido a Confederação Brasileira de Futebol e seus dirigentes, que a conduzem como nos tempos das capitanias hereditárias. Ao expor de modo ferino pontos frágeis da cartolagem, o ex-atacante semeia simpatia no eleitorado. Tomou gosto.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2013 | 02h06

O astro da campanha do tetra mundial concedeu interessante entrevista ao repórter Sílvio Barsetti, que você leu na edição de ontem deste caderno. Disse coisas sensatas, disparou a torto e a direito, constatou que o comando atual da CBF é nefasto e atreveu-se a sugerir Andrés Sanchez como nome ideal para ocupar o cargo. Em dobradinha com Raí.

Pois nesse aspecto Romário pisou na bola e desperdiçou clara chance de gol. O ex-presidente do Corinthians, de estilo bocudo e rude, teve papel relevante no clube dele, fato inquestionável. Mas, vê-lo como alternativa aos métodos arcaicos do mundo da bola doméstica, como novidade para o que há décadas está por aí, é um equívoco, uma distorção.

Sanchez não está à margem do sistema; ao contrário, faz parte dele - e como! Não se pode relevar que era carne e unha com o ex-mandachuva da CBF, aquele que hoje curte doce exílio. Ambos tiveram estreitos laços de amizade, a ponto de o corintiano ter chefiado a delegação brasileira na Copa da África e de ter sido escolhido como diretor de seleções.

A ação de Sanchez foi fundamental para a implosão do Clube dos 13, agremiação de clubes que ensaiava incomodar o alto comando. Ele destroçou a entidade, como um tanque, para alívio da CBF e parceiros. Em troca, recebeu de bandeja o presente de abrigar a abertura do Mundial de 2014. Com isso, escancaram-se as portas oficiais para o tão sonhado estádio para o Corinthians. Nos bastidores, se falava que estava sendo preparado para assumir a CBF em futuro próximo. Entrou pelo cano ao se mostrar entrave aos projetos da dobradinha José Maria Marin/Marco Polo del Nero.

Sanchez não desponta como a guinada moralizadora que imagina Romário, que no início demorou um tanto pra perceber como era nociva a antiga cúpula da CBF. Talvez o deputado tenha chutado o primeiro nome que lhe veio à cabeça. Prefiro essa do que outra hipótese. Assim como Raí não seria bom vice. Por motivo simples: não é parte do establishment. É independente, tem discernimento e senso crítico. Características intragáveis para o coronelismo do futebol de cá.

Ronaldo, esse sim teria caminho livre. Faz só dois anos que trocou as chuteiras pelo paletó, mas parece que foi há séculos que mudou de lado no balcão, pois age como um dirigente veterano. Totalmente integrado ao meio. De tal forma que não vê conflitos éticos em ter uma agência que atua em eventos e em carreiras esportivas, em trabalhar como integrante do Comitê Executivo Local da Copa e logo mais como comentarista de televisão na Copa das Confederações.

O Fenômeno vai longe no ramo.

Que casa! Já escrevi diversos artigos sobre o Palmeiras, a maioria indignados. Hoje, reproduzo singelos versos de "A Casa", sucesso de Vinicius de Moraes para a criançada. Atuais e certeiros. "Era uma casa muito engraçada/Não tinha teto, não tinha nada./Ninguém podia entrar nela, não/Porque na casa não tinha chão./Ninguém podia dormir na rede/Porque na casa não tinha parede./Ninguém podia fazer pipi/Porque penico não tinha ali./Mas era feita com muito esmero/Na rua dos bobos, número zero."

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