Reginaldo Leme, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2008 | 00h00

O começo de um novo campeonato tem sempre um clima especial. E, quando acontece na Austrália, o GP dura uma semana inteira porque todos os pilotos chegam bem mais cedo para dar tempo de se acostumar com o fuso horário deste país maravilhoso, que costuma se auto-apelidar de ''Down Under''''. Literalmente, de cabeça para baixo ou, como se diz no interior de São Paulo, de ponta-cabeça em relação ao resto do mundo. E, já que os pilotos estão lá desde domingo passado, os patrocinadores aproveitam para criar eventos em que, por contrato, eles devem estar presentes. Tudo isso, e mais a expectativa diante do que cada um conseguirá fazer quando acender o sinal verde da temporada, leva os pilotos a aguardar com ansiedade o momento de entrar na pista, que é a parte melhor. Isso aconteceu ontem à noite, mas depois de eu ter escrito minha coluna, sem saber se alguma surpresa iria sacudir o panorama após quase três meses de treinos preparativos.O reencontro da F-1, mesmo depois de vários treinos realizados em conjunto, lembra um pouco o retorno às aulas. A grande maioria aparece de cabelo recém-cortado, com cara de férias, ainda sem influência do clima de rivalidade e, nesse aspecto, a configuração do Albert Park, em Melbourne, ajuda muito. A grande área verde na parte de trás dos boxes é transformada num autêntico boulevard parisiense, tendo o box de um lado e as mesas e cadeiras dos motorhomes de cada equipe do outro. E por ali circulam todas as pessoas envolvidas com a Fórmula 1. Calculando-se o número médio de 80 funcionários por equipe, mais os 22 pilotos titulares e alguns reservas, cerca de 60 integrantes do quadro permanente da FIA, uma centena de pessoas locais que são recrutadas para trabalhar na área dos boxes, 600 jornalistas da mídia internacional e uns 200 australianos, a chamada área do paddock é freqüentada por quase 2 mil pessoas.O calor é bem-vindo, mas quando bate na casa dos 30 graus atrapalha. É o caso deste fim de semana. Sofrem os mecânicos enquanto trabalham nos carros, sofrem os pilotos, os carros. Ganha quem faz a alegria natural dos australianos transbordar por todos os cantos do parque - os vendedores de cerveja. O consumo per capita de cerveja na Austrália chega a ser maior que o da Inglaterra. O GP em Melbourne não é só uma corrida do campeonato, mas também uma grande festa que dura três dias, começando de manhã e terminando tarde da noite. Dança, jogos, cantoria, farra das boas que termina com um show do Kiss, banda que comemora este ano 35 anos. Nos GPs da Austrália sempre sobra boa música. Foi assim que eu vi Joan Baez, Everly Brothers, George Harrison, Men at Work e muito mais. Era assim na época em que a sede era Adelaide, melhorou com Melbourne e, se os organizadores não toparem fazer a corrida noturna como quer Bernie Ecclestone, Sydney já se candidata a recebê-la.A F-1 ganhou força com o bom campeonato do ano passado e tende a ficar ainda melhor com a mudança de regras que valoriza a habilidade do piloto. Esta é a F-1 de uma geração que traz seis pilotos entre os 20 e 23 anos de idade (Vettel, Rosberg, Kovalainen, Nelsinho Piquet, Kubica e Hamilton), um Felipe Massa candidato a campeão, com 26 anos, mesmo já somando seis Mundiais, e um Rubinho, veterano de 16 temporadas, que, em breve, passará a ser o piloto com mais GPs disputados da história.

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