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Mais futebol para vencer a copa tropical

PAULO CALÇADE

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2014 | 02h03

O primeiro adversário foi o peso da estreia e o bom time da Croácia. Depois, o sistema tático mexicano e sua marcação cerrada surgiram como obstáculo. Hoje, na terceira e última partida da primeira fase, o time de Camarões preocupa bem menos do que o futebol irregular da seleção de Felipão, insuficiente para ganhar o Mundial.

A Copa tem nos mostrado que, 180 minutos depois do pontapé inicial, a missão mais importante da comissão técnica brasileira é superar o "inimigo interno" instalado na Granja Comary, responsável por travar o rendimento da equipe.

Até o Hino Nacional, cantado com energia nos estádios e sua influência sobre o estado emocional dos jogadores, tem sido questionado. O problema não mora naqueles poucos minutos que antecedem o jogo, seria simples demais se assim fosse. O êxtase coletivo pode aumentar o combustível para o confronto, jamais esvaziar o grupo.

O abacaxi está no tamanho da responsabilidade, e como cada um dos convocados tem lidado com essa questão, além dos outros fatores que condicionam o desempenho, como o técnico e o tático. E ainda há o lado físico, é claro, que levou algumas sessões de treinamento do campo para a academia de ginástica da Granja Comary. Às vezes, recuperar é mais importante do que treinar, depende da situação da equipe.

Essa é apenas parte da história. O líder precisa aprender a conviver também com o ônus do cargo que ocupa, mas Scolari ainda prefere bancar o time da Copa das Confederações, acredita na recuperação e no crescimento durante a competição, como no ano passado. Por enquanto, essa evolução é apenas retórica.

Talvez seja necessário mudar a equipe para que a família Scolari não morra abraçada cedo demais. No Mundial de 2002, a troca de Juninho Paulista por Kléberson deu consistência ao meio de campo da seleção. Mas aconteceu apenas nas oitavas, no segundo tempo dos 2 a 0 sobre a Bélgica.

É notório que Paulinho e Fred não estão bem. A substituição, agora, poderia abatê-los e torná-los ainda menos competitivos. Por isso o jogo de hoje adquire um caráter mais importante. Mesmo com a clareza de que a vitória sobre uma equipe já desclassificada se trata de uma obrigação. E que qualquer dificuldade ampliará o sinal de alerta na seleção brasileira.

A Copa do Mundo tropical é um espetáculo, e também fator de pressão sobre o time de Scolari, pois se espera que o Brasil seja o condutor do jogo bonito e da emoção nos estádios.

O que fortalece o discurso e a paciência do treinador brasileiro é o futebol irregular de Argentina e Alemanha, cotadas para ficar entre as semifinalistas juntamente com Brasil e Espanha, esta já despachada do torneio em duas rodadas.

Até agora a trajetória brasileira na Copa do Mundo tem sido mais difícil do que se imaginava. E será preciso melhorar muito para não transformar a próxima etapa no fim do sonho.

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