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Mais que um treinador

O clássico expôs realidades bem diferentes. Se ao São Paulo falta alguém que possa unir os pontos e transformar um bom grupo de jogadores numa equipe de verdade, o Santos carece urgentemente de contratações, de gente que faça a diferença. Com o time atual, a vida será instável, até o crescimento dos meninos da base.

PAULO CALÇADE, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2013 | 02h03

Por incrível que pareça, o Campeonato Brasileiro ainda está no começo, é um festival de contradições, obra do calendário perverso. Quem assumir a direção técnica do São Paulo terá ainda 32 rodadas para colocá-lo em condições de disputar o título. Isso, porém, não pode ser traduzido em semanas tranquilas de treinamento.

Há jogos demais espremidos na tabela, mas treinadores experientes como Muricy Ramalho e Paulo Autuori, nomes cotados para substituir Ney Franco, sabem que é mais fácil arrumar taticamente um time que tem Jadson, Luís Fabiano, Ganso e Oswaldo do que montar uma lista de contratações e torcer pelo sucesso da diretoria.

Na construção da identidade tática, jamais o treinamento e a convivência diária poderão ser colocados num plano inferior no desenvolvimento da equipe. A derrota para o Santos revelou mais do que erros de posicionamento, que normalmente chamam mais a atenção. A questão, agora, é atacar a origem disso.

Falta o combustível, a energia, a vibração, a alegria que o São Paulo não tem. O resultado implica uma série de defeitos, de vazios que o time vai colecionando com o passar do tempo. Como no segundo gol do Santos, cruzamento de Émerson Palmieri para Cícero bancar o homem invisível e marcar de cabeça.

A impressão é que se trata apenas de um defeito técnico. É mais do que isso, o novo treinador deverá trabalhar arduamente para ativar o jogador perdido em Paulo Henrique Ganso.

Quando o meia surgiu no Santos, na mesma geração de Neymar, havia em campo mais do que um entendimento perfeito entre colegas da divisão de base. A dupla se completava, numa combinação rara entre passe e finalização. Três anos depois, Neymar continua subindo como um foguete, agora pronto para fazer história no Barcelona e na seleção brasileira.

Ganso ainda é uma esperança. Parecia mais preparado e maduro para assumir o meio de campo de qualquer time quando era apenas um menino. A primeira missão do novo treinador será definir as funções de cada jogador e ouvir seus dramas, suas queixas.

Milton Cruz, o mais interino dos interinos do futebol brasileiro, modificou o posicionamento do meio de campo. Com os mesmos nomes, alterou funções. Oswaldo foi transferido para a direita, provavelmente para atacar os 38 anos do lateral Leo, e Ganso deslocado para a esquerda.

Um dos objetivos era facilitar a vida de Jadson, colocado onde pode render mais, centralizado. O São Paulo teve posse de bola, empurrou o Santos contra o gol de Aranha, mas falhou nas finalizações. Com os meias longe da área, havia só um caminho: Luís Fabiano. Com o passar do tempo, o time chegou à conclusão óbvia de que era insuficiente.

Acuado e já se dando por satisfeito em contra-atacar, o Santos percebeu que aquela inhaca tricolor poderia ser transformada em oportunidade de vitória. E assim colocou seus meninos para jogar, liderados pelo também interino Claudinei Oliveira, que os conhece muito bem.

O atacante Giva entrou aos 12 do segundo tempo e no minuto seguinte fez 1 a 0, mas a grande atuação foi do zagueiro Gustavo Henrique, sem esquecer Neilton e Leandrinho. Os meninos da Vila aproveitaram a chance.

O momento do São Paulo exige mais sensibilidade do treinador. Se o escolhido for Muricy, não basta apenas repetir o mantra "aqui é trabalho" como solução dos problemas. Hoje falta uma linha de comunicação entre o poder absolutista do clube e o time no campo. Pelas necessidades, Paulo Autuori é a melhor escolha.

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