Mais um clássico para ser esquecido

Em um jogo sofrível, Palmeiras e Santos não saíram do 0 a 0. Foi o terceiro empate sem gols entre os quatro grandes

GONÇALO JUNIOR, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2013 | 02h03

Assim que o árbitro Marcelo Ribeiro de Souza apitou o final do empate por 0 a 0 entre Palmeiras e Santos, no Pacaembu, parte dos 11 mil torcedores iniciou uma vaia tímida.

Pararam de vaiar não porque tivessem se arrependido do protesto. Pararam por falta de ânimo até para reclamar de um jogo tão sem sal e sem açúcar.

Com os times recheados de desfalques, os dois grandes fizeram um jogo de nanicos. Dá para contar nos dedos de uma das mãos as chances de gol. Um chute de Leandro que obrigou Rafael a uma boa saída; uma cabeçada de Giva no final do primeiro tempo; e a melhor delas, quando Vinícius não conseguiu cruzar direito para Leandro decretar a vitória no último minuto. O erro foi o retrato do "clássico".

O fiasco de ontem merece ser visto em uma perspectiva mais ampla. Foi apenas mais um degrau escadaria abaixo dos clássicos no Campeonato Paulista. Foi o terceiro empate consecutivo do Palmeiras no choque entre os grandes - o segundo sem gols (mesmo assim, o time ostenta uma enganosa invencibilidade de 11 jogos). O Santos só venceu o São Paulo até agora. Muito pouco para um time que persegue o tetracampeonato. Sem falar no nível técnico dos dérbis, invariavelmente fraquíssimos.

No início, parecia que a partida queimaria a língua de quem esperava um jogo borocoxô por causa da ausência dos craques (Neymar, Montillo, Assunção, Valdivia). Com velocidade e objetividade, boas chances ficaram espremidas, lá e cá. Parte desse ímpeto se explica pela ousadia de Muricy que, em vez de reforçar o meio para suprir as ausências dos titulares, botou logo três atacantes. O Palmeiras usava a velocidade pela esquerda. Com dez minutos, o placar de boas chances estava 2 a 2.

Com um jogador a mais no meio, o Palmeiras teve o domínio tático. Foi mais inteligente porque arriscou chutes de fora da área, explorando o gramado molhado do Pacaembu.

Mas isso tudo foi apenas fogo de palha. Aos poucos, os erros de passe foram crescendo e as deficiências técnicas saltaram aos olhos. Giva foi o santista mais insinuante e exigiu aquela acrobacia de Fernando Prass aos 35. Do lado palmeirense, Leandro foi o mais arisco e mostra que tem mesmo potencial. O jogo também marcou a estreia de Rondinelly, o último dos jogadores que vieram do Grêmio na troca por Barcos. Não fez diferença.

Quando o cansaço bateu dos dois lados, no início da etapa final, e nem a disposição foi um ponto positivo, o jogo ficou sofrível. Foi aí que as vaias começaram aos 35 do segundo tempo. Mas nem valeu a pena gastar a energia dos pulmões.

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