Mais um tira-teima entre dois eternos adversários

Brasil e Espanha, finalistas em quatro das cinco últimas edições do Mundial, disputam o título hoje na Tailândia

BANGCOC, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2012 | 02h06

A Espanha aguardou quatro anos por sua vingança. Hoje, o país, que já domina o futebol de campo com os títulos da Copa do Mundo e das duas últimas Eurocopas, enfrenta o Brasil na tentativa de reincorporar o Mundial de futsal aos seus domínios.

Depois de deixar para trás os brasileiros e conquistar o bicampeonato (2000 e 2004), os espanhóis deixaram o trono em 2008, quando perderam a final para o Brasil no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Porém, como aquela derrota só foi consumada nas cobranças de pênaltis, a Espanha ostenta uma incrível invencibilidade de 108 jogos.

A marcação espanhola, em alguns momentos, atinge um nível de perfeição, como no segundo tempo da semifinal, contra a Itália. O sistema, de tão coordenado, preciso e bem executado, aparenta ser intransponível.

Hoje, na final, que se inicia às 10h30 (horário de Brasília), a seleção brasileira, sob o comando de Marcos Sorato, o Pipoca, será testada como nunca antes. O talento individual de Falcão, uma das armas para furar o bloqueio adversário, é um recurso com o qual o treinador não pode contar. Herói da classificação à semifinal, quando marcou dois gols sobre a Argentina, o craque teve performance apagada no jogo posterior, contra a Colômbia.

Longe de sua melhor condição física e sofrendo com uma paralisia no lado direito da face que lhe compromete parte da visão, Falcão tem jogado poucos minutos e precisa de uma fagulha de genialidade para poder criar os espaços necessários e fazer um gol.

Pipoca também será testado. Depois de viver um período sob a sombra de PC de Oliveira (o técnico no Mundial do Brasil), o treinador, que não se caracteriza pelo pulso firme, precisará de muita lucidez para enxergar algum indício de fragilidade no sistema tático adversário.

Como não poderia deixar de ser, Pipoca demonstra elevado grau de respeito pelo adversário de hoje.

"A Espanha, na minha opinião, é a equipe mais completa do campeonato. Faz bem todas as facetas do jogo, além de ter jogadores que desequilibram. É uma seleção muito completa. Será uma final igual, há grandes jogadores nos dois lados. Acho que começa agora um novo campeonato, do zero".

O treinador da Espanha, José Venancio, aposta que sua equipe terá sucesso caso não se intimide perante seu adversário. "Na final teremos de impor um grande ritmo, porque nisso pode residir nossa vantagem."

Depois de um início titubeante - na primeira rodada os espanhóis empataram com a boa equipe do Irã - os campeões europeus evoluíram gradativamente e encheram os olhos de seu comandante na semifinal. "Meus jogadores deram uma tremenda lição de mentalidade ganhadora e de ambição."

Com um campeonato interno atraente e maior lastro histórico quando se fala em futsal coletivo, a Espanha não aceita nada menos do que o título num Mundial. José Venancio, que já comandava a equipe no Mundial do Brasil, agora estimula ainda mais a criação de jogadas para que não fique dependente da cobrança de pênaltis novamente.

Vinícius, o capitão do Brasil, aponta favoritismo do adversário. "Todos os times espanhóis jogam da mesma maneira, o que facilita seu entrosamento. Apesar disso acredito que vai ser um jogo igualado."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.