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Mais uma russa campeã olímpica no atletismo é suspeita de doping

Ouro em Londres, Zaripova é suspeita de violar passaporte biológico e é mais uma do atletismo russo a ser suspensa após escândalo

Estadão Conteúdo

24 de janeiro de 2015 | 12h17

Campeã olímpica dos 3.000 metros com obstáculos, Yuliya Zaripova é mais uma russa acusada de doping. Neste sábado, a Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) revelou que a medalhista de ouro em Londres/2012 está sob suspeita de violar as regras do passaporte biológico, o que significa que seus exames de sangue indicam doping.

Porta-voz da IAAF, Chris Turner disse que "uma decisão é esperada em breve" a respeito de Zaripova, campeã mundial em Daegu (Coreia do Sul), em 2011, e prata no Mundial de 2009, em Berlim (Alemanha). A atleta, de 28 anos, não compete desde julho de 2013. Na ocasião, disse que não participaria do Mundial de Moscou (Rússia) porque estava com uma lesão na perna. Depois, afirmou que iria dar uma pausa na carreira para ser mãe.

O caso se assemelha a de cinco marchistas russos (três deles campeões olímpico), que estão afastados das competições desde 2012, alegando os mais diversos motivos. Só na última terça-feira a Agência Antidoping da Rússia anunciou as suspensão dos atletas, alegando que a IAAF passou os casos para a Federação Russa de Atletismo (ARAF) para julgamento, mas que a entidade nacional não tinha recursos para lidar com "a especificidade dos casos de passaporte biológico".

Os cinco casos foram detectados pelo passaporte biológico, que rastreia valores sanguíneos anômalos durante longos períodos de tempo. Ainda sem considerar o possível doping de Zaripova, já são 23 atletas russos de elite pegos por doping desde que o passaporte foi implementado, em 2009. A Rússia corresponde por praticamente dois terços de todos os 37 casos identificados.

Assim como os atletas da marcha atlética, a Zaripova também deverá perder os títulos conquistados nos últimos anos - uma análise técnica nos exames indica há quanto tempo, aproximadamente, o atleta faz uso de doping e a partir daí é definida a pena retroativa. A tunisiana Habiba Ghribi, assim, se tornaria campeã olímpica de 2012 e mundial de 2011.

Na sexta, o principal técnico do atletismo russo, Valentin Maslakov decidiu se demitir do comando da seleção nacional do país. De acordo com o presidente da ARAF, Valentin Balakhnichev, o treinador tomou uma decisão sem volta, mas não explicou se a renúncia tem a ver com o escândalo de doping.

A ARAF e a agência nacional antidoping foram acusadas de má conduta em um documentário veiculado no mês passado pelo canal de televisão alemão ARD. A federação operaria um programa de doping sistemático, enquanto funcionários da agência foram acusados de encobrir testes positivos.

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