Mancini: ''Tem dedo-duro no Santos''

Técnico se irrita porque veio a público a nova confusão envolvendo Fábio Costa, que vai pedir 60 dias de licença

Sanches Filho, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

A semana do Santos às vésperas do clássico contra o Palmeiras não poderia estar mais conturbada. A revelação de uma nova briga do goleiro Fábio Costa, agora com o preparador de goleiros Eduardo Bahia, pouco antes da derrota para o Atlético-MG, no domingo, na Vila Belmiro (3 a 2), até com ameaça de agressão, fez o técnico Vágner Mancini explodir ontem. "Não vou responder sobre isso (a briga) se não for dito quem deu a informação. Estamos à caça desse sem-vergonha, esse dedo-duro. Uma pessoa que está dentro do vestiário, assiste a uma discussão e passa para a imprensa não vale nada."O caso fez com que o treinador revelasse o verdadeiro motivo que o levou a exigir que o ex-supervisor Ocimar Bolicenho fosse mandado embora. Ele foi considerado informante de alguns jornalistas. "Agora vamos identificar o outro", prometeu o treinador. As últimas informações são de que Fábio Costa está sumido do clube e vai pedir diretamente ao presidente santista, e seu amigo, Marcelo Teixeira, licença remunerada de 60 dias para pôr a cabeça em ordem. As lesões no joelho e no tornozelo direitos (está imobilizado) ainda devem deixar o goleiro fora das atividades normais do time por aproximadamente 20 dias. Tempo suficiente para pensar bem no futuro. A CONFUSÃO Durante o aquecimento, no domingo, Fábio Costa se irritou com uma ordem do treinador de goleiros Eduardo Bahia, responsável por seu lançamento no profissionalismo, quando ambos estavam no Vitória-BA. A intervenção de outros jogadores evitou que o pior ocorresse. Depois, Fábio Costa apareceu em campo e, em seguida, foi abraçado por Roberto Brum. O volante falou ao seu ouvido durante minutos. À distância, parecia que fazia uma prece. A explicação veio ontem com a descoberta do novo descontrole. Com a bola rolando, Fábio Costa ficou em campo apenas oito minutos. Depois de tentar sair jogando com os pés e passar a bola para o adversário Diego Tardelli, foi obrigado a dar um de seus carrinhos temerários. Só que desta vez foi ele quem se machucou. Saiu de campo chorando, numa maca móvel. Antes do fim do jogo, Fábio Costa foi a um hospital para exames e ficou sabendo que as lesões não eram tão graves. A justificativa do técnico para não punir o goleiro é de que não houve briga. "Ele é igual aos outros. No momento em que ultrapassar o limite, vai ser punido", prometeu. Essa confusão, aliás, não poderia vir num momento pior para o técnico. O Santos já está há três jogos sem vencer e despencou do G4 para o 10º lugar. Para complicar, Muricy Ramalho está livre no mercado. São cada vez mais fortes as especulações de que o presidente Marcelo Teixeira teria almoçado com o ex-técnico do São Paulo (descansa no Guarujá) no meio da semana. O dirigente mandou a sua assessoria de comunicação avisar que Mancini não cai mesmo em caso de derrota para o Palmeiras, amanhã, no Palestra Itália. Mancini não teve como se esquivar do assunto ontem. "Sempre soube que no futebol se vive de resultados. Se não gostasse de pressão eu estaria em Ribeirão Preto, como dono de uma padaria ou lavanderia", comentou.

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