Manifestações no Bahrein cancelam prova da GP-2 Ásia

Com as cinco mortes de ontem, organização veta a corrida preliminar, no dia 13, da Fórmula 1, que segue ameaçada

, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

MANAMA

Os organizadores da GP2 Ásia anunciaram o cancelamento da etapa do Bahrein, depois que a repressão aos protestos contra o governo local deixaram cinco mortos e 230 feridos ontem. A decisão acontece menos de um mês antes da realização da prova de abertura da Fórmula 1 no circuito de Manama. O GP do Bahrein está marcado para 13 de março e os membros das equipes devem chegar ao país em dez dias, já que testes estão marcados para ocorrer entre 3 e 6 de março.

Inicialmente, apenas as atividades da sexta-feira da GP2 Ásia haviam sido canceladas. "Na sequência dos acontecimentos no Bahrein, a pedido da Federação de Automobilismo, foi decidido que o encontro que deveria acontecer esta semana no Circuito Internacional do Bahrein está cancelado por motivos de força maior", afirmou, em comunicado, os organizadores da GP2.

Luiz Razia, único brasileiro da categoria, revelou que a situação ficou mais crítica ao longo da semana. "Os protestos estão crescendo. A polícia e o exército, decidiram agir e as ruas estão bloqueadas. É muita polícia, para todo lado; é assustador ver tanques de guerras nas ruas", disse.

Com o agravamento dos embates, o piloto recebeu orientação do governo para não deixar o hotel. "As autoridades pedem para as pessoas não saírem de casa. Nós teríamos de ficar no hotel. Fomos ao circuito, mas as coisas não estão nada bem", afirmou.

No início desta semana, a Federação Internacional de Automobilismo expressou confiança de que os protestos no país não vão impedir a realização da corrida de F-1. "Eu sempre tento não reagir precipitadamente com notícias de última hora. Você tem de verificar qual é a realidade - que nem sempre é o que você ouve - para reagir sem emoção demais e para enfrentar adequadamente o problema", afirmou Jean Todt, presidente da FIA. ao jornal irlandês Irish Independent.

Na quarta-feira, dezenas de veículos blindados da polícia foram usados para reprimir as manifestações na Praça Pérola, no centro de Manama, capital do Bahrein. Os protestos começaram na segunda-feira. Os manifestantes exigem mais democracia e melhorias econômicas, e se inspiram nos recentes levantes ocorridos na Tunísia e no Egito, que terminaram com a renúncia dos líderes desses países.

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