Mano já tem substituto

Corinthians dá como certa a saída do treinador para a seleção (faltam detalhes para o anúncio) e vai atrás de Adilson Batista

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

Diante do iminente acerto para que o técnico Mano Menezes assuma a seleção brasileira, a direção do Corinthians já se mobilizou para providenciar um substituto. Trata-se de Adilson Batista, que deixou o Cruzeiro após a equipe ser eliminada da Taça Libertadores, ainda no primeiro semestre. Embora as partes neguem, os contatos já foram feitos e estão bem encaminhados. Se tudo correr bem, a ideia é anunciá-lo no momento em que Mano estiver oficializado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como substituto de Dunga, o que deve acontecer até segunda-feira.

A indicação de Adilson não foi unânime no Parque São Jorge. Diversas pessoas influentes na presidência do clube defendiam a volta de Vanderlei Luxemburgo, atualmente no Atlético-MG. O treinador cinco vezes campeão brasileiro desfruta de boa relação com o presidente Andrés Sanchez. No entanto, há consenso entre os dirigentes que Luxemburgo não vive boa fase e que não seria inteligente arriscar no momento em que o time lidera o Campeonato Brasileiro. De qualquer forma, é um nome que sempre estará cotado.

Assim, alguns detalhes levaram a Adilson. Entre eles, dois chamaram a atenção. O primeiro é o fato de o ex-técnico do Cruzeiro ter uma linha de trabalho parecida com a implantada por Mano. Para os dirigentes corintianos, é fundamental que o novo comandante "não invente moda e apenas administre a linha de trabalho existente", afirmou um diretor ouvido pelo Estado. Mano completou dois anos e oito meses à frente do futebol corintiano.

Outro aspecto que pesa favoravelmente a Adilson é o fato de estar identificado com o clube. Como jogador, ele marcou o nome na história alvinegra ao ser o zagueiro titular do time que conquistou o Mundial de Clubes de 2000, o primeiro reconhecido pela Fifa e, para muitos corintianos, o título de maior expressão do clube.

Agitação. O dia de Sanchez foi complicado ontem. Entre várias xícaras de café e incontáveis cigarros, o presidente alvinegro não teve sossego. Além de viver a expectativa pela saída de Mano e da pressão por encontrar rapidamente um substituto para o comando do time principal, o dirigente precisava administrar os palpites que surgiam de todos os lados. "Olha, a única coisa que peço nessa hora é que a CBF defina logo essa história (do técnico)", afirmou no início da noite, sem esconder a irritação com a situação.

O alvoroço entre os palpiteiros de plantão tem uma explicação. Para muitos deles, o time atingiu seu equilíbrio e encontrou o caminho para conquistar o Brasileiro. Mais do que o quinto título da história nessa competição, o que realmente deixa o ambiente carregado no Parque São Jorge é a possibilidade de terminar o ano do centenário sem uma conquista expressiva.

A troca de treinador justamente no momento em que a abertura da janela de transferências foi antecipada deixou muita gente preocupada. Para esse grupo, é natural que qualquer profissional que assuma queira trazer jogadores de sua confiança, sobretudo se o Corinthians perder alguém. Diante dessa preocupação, Sanchez argumentou que o clube não perderá atletas. Além do goleiro Felipe, que está em litígio e treina separado do grupo, o único cotado para deixar o Parque São Jorge é o volante Elias.

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