Mano Menezes manda recado: 'Estamos esperando'

Técnico da seleção vê equilíbrio em sorteio e insiste na necessidade de o Brasil ter paciência com a renovação do time

Almir Leite, Bruno Lousada, Sílvio Barsetti e Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2011 | 00h00

Mano Menezes foi uma das atrações da comitiva brasileira que acompanhou o sorteio das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, realizado ontem na Marina da Glória, zona sul do Rio. E o treinador da seleção brasileira aproveitou o fato de sua equipe, como representante do país-sede, não precisar disputar o qualificatório, para mandar um recado para aqueles que terão de disputar uma vaga. "Sigam seu caminho. Estamos esperando por todos em 2014", avisou.

Apesar do aparente conforto por não precisar disputar as Eliminatórias, Mano observou que eventos como o realizado ontem farão com que o povo brasileiro se mantenha ligado e ansioso pela chegada do Mundial. "Acontecimentos como esse começam a nos dar dimensão do que é uma Copa do Mundo", analisou o ex-treinador do Corinthians.

A formação dos grupos das Eliminatórias, sobretudo a europeia, não foi um dos assuntos favoritos do comandante da seleção brasileira. Nem mesmo o fato de duas potências, casos de Espanha e França, dividirem o Grupo I pareceu comover Mano. Para ele, a distribuição de forças ficou equilibrada. "Não há o que as pessoas costumam chamar de grupo da morte. Nem grupos fracos", observou. "Creio que teremos partidas muito equilibradas. Tem vaga para todo mundo", enfatizou.

Preparação. Em alguns momentos da entrevista, Mano parecia lamentar o fato de o Brasil estar dispensado de disputar as Eliminatórias. "Não é nossa escolha jogar ou não essa competição. Trata-se de uma questão circunstancial. É sempre assim, uma regra da competição. Não temos como mudar essa realidade", afirmou. "Ainda mais pelo formato da disputa na América do Sul que, ao contrário das demais, é feita em pontos corridos, durante quase dois anos. Isso dá às equipes a oportunidade de desenvolver um trabalho de longo prazo mantendo-se em atividade constante."

A solução para o problema da falta de jogo e, sobretudo, da presença de um ambiente competitivo, fundamental para manter a concentração dos jogadores, é a escolha de adversário qualificados para os amistosos, única alternativa da comissão técnica brasileira para a preparação. "Temos escolhido adversário de alto nível, com capacidade de exigir o máximo de nossa equipe", explicou. "E isso é ótimo, principalmente para dar experiência para os mais jovens."

Aposta x pressão. Mano Menezes não quis bancar que jovens talentos como Neymar e Ganso, que ontem participaram do evento, estarão na próximas lista de convocados. Mas deu diversas dicas que permitem tal conclusão. Além de se confessar admirador do futebol da dupla santista, disse que o maior problema enfrentado por eles durante a fraca campanha brasileira na Copa América da Argentina, quando caíram nas quartas de final diante do Paraguai, foi a falta de experiência.

E o antídoto para esse caso é apenas um: "Temos de jogar. Só assim daremos experiência para esse grupo", disse o treinador brasileiro. "Quando assumimos a seleção deixamos claro que nossa principal missão seria a renovação. E segue sendo assim. A Alemanha saiu na frente, já mostrou um grupo jovem e qualificado na Copa da África do Sul. A Itália segue o mesmo caminho. Agora é preciso ter paciência para que a seleção brasileira encontre o seu."

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