Mowa Press-9/9/2011
Mowa Press-9/9/2011

Mano Menezes vê time sem equilíbrio

Técnico identifica problema no ataque, que não faz gols, e na defesa, que sofre muitos

Almir Leite - Enviado especial, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2011 | 00h00

STUTTGART - Mano Menezes é um defensor do equilíbrio entre os setores de um time de futebol. Mas completa um ano de seleção brasileira especialmente descontente com o ataque e a defesa. O primeiro por não fazer gols (apenas 18 em 13 partidas) e o segundo por ter começado bem em seu ciclo, mas perdido o rumo a partir da Copa América (dos 9 gols sofridos na era Mano, 7 foram nos últimos quatro jogos).

Depois da derrota para a Alemanha por 3 a 2, na quarta-feira, Mano reconheceu os problemas. Mas tentou manter um tom de harmonização depois de detonar os dois setores. "Eu não acho que um setor seja independente do outro no futebol. A defesa tem de ser ajudada pelo meio de campo, este tem de ajudar o ataque, que precisa ajudar na marcação e assim por diante", definiu. Mas os problemas setorizados já o afligem.

O treinador não admite, mas a defesa é sua maior preocupação no momento, até porque "as finalizações, historicamente, nunca foram o problema do futebol brasileiro e o que está ocorrendo é momentâneo", acredita. Só que evitar gols e sufoco têm sido um grande problema para Mano.

O posicionamento dos zagueiros de área não é o ideal. Às vezes estão distantes, noutras embolam. Os volantes (ele já usou vários) ficam sobrecarregados, até porque precisam cobrir os frágeis laterais. Com isso, os espaços na cabeça de área, por onde os adversários têm trabalhado com facilidade, são inevitáveis. Os laterais são um caso à parte, pois marcam mal e apoiam de maneira ineficiente.

A função defensiva é a que mais dá dor de cabeça, principalmente do lado esquerdo, pois André Santos tem se revelado uma avenida. Mano Menezes colocou Marcelo, do Real Madrid, de castigo, mas começa a pensar em perdoá-lo. Assim, o jogador pode aparecer na convocação do dia 18 para a partida do início de setembro, contra o Egito. Mesma situação vive Adriano, do Barcelona, não aproveitado na Copa América e que pode ganhar uma chance. Mas é bem possível que o treinador escolha improvisar o volante Luiz Gustavo, do Bayern de Munique, na lateral esquerda.

Paciência por um fio. O ataque também deve ter novidades. A paciência de Mano com Alexandre Pato está no fim. O problema é que, por enquanto, o treinador não pode contar com goleadores do naipe de Adriano e Luís Fabiano. Fred é opção do treinador apenas para o jogo aéreo, ou seja, em momentos de desespero.

É possível até que Ronaldinho Gaúcho, se continuar bem no Flamengo, seja lembrado nas próximas listas de convocados. Mas há dois problemas: como posicionar Ronaldinho, Neymar e Robinho, já que Mano gosta de adotar o 4-3-2-1 como sistema; e o lobby que já se faz no Rio pela convocação de Gaúcho não agrada ao treinador.

Mano fala da defesa e do ataque, mas não seria estranho se passasse a criticar também o meio de campo, principalmente no momento de criar jogadas. O rendimento de Paulo Henrique Ganso, jogador no qual o treinador tanto aposta, não tem agradado. E parece não haver opções que o satisfaça.

AS INVENÇÕES DE MANO EM 12 MESES

Jadson (meia do Shakhtar Donetsk)

Fernandinho (meia do Shakhtar)

Renato Augusto (meia do Bayer Leverkusen)

Hulk (atacante do Porto)

Jucilei (volante do Anzhi Makhachkala, da Rússia)

Elias (volante do Atlético de Madrid)

Luiz Gustavo (volante do Bayern de Munique)

Jonas (atacante do Valencia)

Carlos Eduardo (meia do Rubin Kazan, da Rússia)

Ederson (meia do Lyon)

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