Mano se irrita com 'sono' da seleção

Treinador do Brasil reprova comportamento dos jogadores, que relaxaram quando o time abriu três gols de frente

MATEUS SILVA ALVES , ENVIADO ESPECIAL / CARDIFF, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h07

Mano Menezes terminou o primeiro tempo do jogo contra o Egito muito satisfeito com o desempenho da seleção. Mas, ao fim da estreia do Brasil nos Jogos Olímpicos de Londres, ele estava bastante irritado. O treinador sabe que seu time relaxou demais quando fez 3 a 0 e quase pagou muito caro por esse pecado. Por isso, não fez a menor questão de esconder os problemas apresentados no gramado do Estádio Millennium.

Nenhum defeito da seleção incomodou tanto seu comandante quanto os erros no ataque. Não é a primeira vez, aliás, que ele se queixa do excesso de bolas perdidas por seus atacantes. No último amistoso antes da Olimpíada, contra a Grã-Bretanha, por exemplo, já havia sido assim (e também no amistoso contra o México, em junho, quando a Seleção perdeu por 2 a 0).

"Tivemos uma boa atuação na primeira parte e não conseguimos repeti-la no segundo tempo", comentou Mano. "Com 3 a 0 contra, eles (os egípcios) deixaram nosso time atacar e ficaram com muitos jogadores no campo de ataque esperando a bola. Como erramos muito no ataque, demos a eles o que eles queriam. Se você tem espaço na frente, precisa aproveitá-lo."

Outra coisa que tirou o treinador do sério foi a falta de coordenação defensiva da seleção no segundo tempo. Várias vezes Rafael e Marcelo foram ao ataque ao mesmo tempo, algo que Mano não tolera, e tiveram de voltar em disparada para a defesa quando o time perdia a bola. O técnico sabe que terá trabalho para convencer dois laterais que gostam tanto de atacar que eles só devem avançar "na boa".

"Se Marcelo e Rafael voltaram correndo várias vezes para fechar a defesa é porque a coisa está errada", falou Mano. "Eles sabem que não podem se lançar ao ataque ao mesmo tempo. É preciso fazer uma leitura correta, não se pode avançar tanto e no segundo tempo isso aconteceu algumas vezes. O apoio só se justifica se o benefício for muito grande."

Falta de conjunto. Para não ser duro demais com seus jogadores que, afinal de contas, conseguiram uma vitória na estreia nos Jogos, Mano disse acreditar que esses problemas são em boa parte consequência da falta de conjunto da Seleção. O treinador acha que o time precisa jogar junto mais vezes para que os atletas façam o que ele quer de maneira automática e, pela enésima vez, mencionou uma seleção que ele adora, a que está defendendo o México na Olimpíada.

"Eu não diria que o meu time é inexperiente, mas tem pouca rodagem. O México deve ter feito uns cem jogos com a mesma base, enquanto nós fizemos sete. Isso faz diferença e às vezes você acaba sofrendo por causa disso."

O Brasil volta a jogar no domingo, às 11h (horário de Brasília) diante da Bielorrússia, em Manchester. Mano não antecipou, mas pode repensar o sistema defensivo da equipe.

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