Mano vai de Corinthians e São Paulo

Sem tempo para treinar e sempre pressionado a vencer, treinador arma a seleção brasileira com base nos dois times paulistas, hoje, diante da Argentina

VÍTOR MARQUES , ENVIADO ESPECIAL / GOIÂNIA , O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2012 | 03h08

Contra a falta de treinamento, nada melhor do que aproveitar o entrosamento de um punhado de jogadores que atuam juntos no Brasil. Esta foi a estratégia que Mano Menezes encontrou para enfrentar a Argentina, às 22 horas, em Goiânia, no primeiro confronto do Superclássico das Américas. Do meio de campo para frente, a base da seleção brasileira será formada por atletas do Corinthians, do São Paulo e, claro, por Neymar.

Outra sacada de Mano: confrontos contra um rival como o de hoje requerem jogadores tarimbados. Não por acaso Luis Fabiano, cotado para ser o capitão, será titular no seu primeiro jogo após a Copa do Mundo de 2010.

Luis Fabiano está para esta seleção o que foi Ronaldinho Gaúcho na primeira edição do Superclássico, em 2011, a série de dois duelos contra a Argentina na qual as seleções não podem escalar atletas que atuam na Europa.

Mano se mostrou preocupado com o excesso de juventude da seleção brasileira e disse que só não convocou o Fabuloso antes porque o atleta passou um bom tempo machucado.

"O Luis Fabiano está de volta por esse critério, já tentamos com outros jogadores e teremos mais para frente ainda outros", afirmou o treinador, dando a entender que mais atletas rodados podem ser resgatados para dar base de sustentação ao time que vai disputar a Copa de 2014, caso, por exemplo de Kaká.

O período de treino da seleção foi curto em Goiânia. Um dia de piscina e outro no campo com bola. Mas nada de excepcional. "Vamos fazer um treino tático de uns 30 minutos e uma oração para que tudo dê certo, e vamos para o jogo", disse o treinador momentos antes de levar os jogadores ao Estádio Serra Dourada, ontem, palco da partida.

Mano Menezes fez exatamente isso. Os jogadores correram em volta do gramado, e a todo o instante recebiam aplausos da torcida eufórica no Serra Dourada. Por ora, as vaias foram suspensas e deram lugar a gritos de Neymar e Luis Fabiano.

Base paulista. Quando montou o time, Mano fez o básico. Chamou Ralf e Paulinho, motores do Corinthians campeão da América, e os escalou ao lado de Jadson, tão são-paulino quanto Lucas e Luis Fabiano. A eles se juntou Neymar.

O treinador armou o ataque com Lucas pela direita, Luis Fabiano como centroavante (Damião será reserva) e Neymar pela esquerda. Jadson virá por trás. Neymar terá mais liberdade que Lucas para se movimentar.

Luis Fabiano adorou a ideia de jogar com essa formação. "É melhor ter o Neymar do seu lado do que contra. Ele é um jogador fantástico", disse o atacante, de 31 anos, e 28 gols pela seleção.

"Há cinco meses nem imaginava que estaria aqui, eu vinha sofrendo para estar 100%, e agora estou com Lucas, com Neymar, é um prêmio."

O Brasil terá dois estreantes em seleção como titulares. Lucas Marques, do Botafogo, na lateral-direita, e Fábio Santos, do Corinthians, na esquerda. Aposta como o jovem Bernard, de 20 anos, que faz um bom Brasileiro pelo Atlético-MG e começa no banco de reservas.

A torcida goiana está empolgada com a seleção brasileira. Dos 42 mil ingressos disponíveis, 39 mil haviam sido vendidos até o início da noite, ontem. Desses 39 mil, 20 mil foram adquiridos no programa de nota fiscal do governo estadual.

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